Vício mental: cérebro pode ser ensinado a controlar desejo de fumar

Terapias cognitivas-comportamentais diminuem o desejo por regular a atividade de duas áreas distintas, mas relacionadas, do cérebro.

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03 Agosto 2010 | 18h57

Estratégias cognitivas, como fazer com que o fumante passe a avaliar as consequências em longo prazo do seu vício, fazem com que a atividade do córtex pré-frontal (região do cérebro associada ao controle cognitivo e pensamento racional) seja mais forte. Crédito: Yale School of Medicine.

Estratégias cognitivas, como fazer com que o fumante passe a avaliar as consequências em longo prazo do seu vício, fazem com que a atividade do córtex pré-frontal (região do cérebro associada ao controle cognitivo e pensamento racional) seja mais forte. Crédito: Yale School of Medicine.

Técnicas terapêuticas padrão diminuem o desejo de fumantes por regular a atividade de duas áreas distintas, mas relacionadas, do cérebro. É o que afirmam pesquisadores da Universidade de Yale, nos EUA.

Estratégias cognitivas, como fazer com que o fumante passe a avaliar as consequências em longo prazo do seu vício, faz com que a atividade do córtex pré-frontal (região do cérebro associada ao controle cognitivo e pensamento racional) seja mais forte. Mais: o método é capaz de diminuir a atividade do corpo estriado, um local do órgão que está envolvido com a sensação de recompensa, ânsia e comportamento de busca.

“Isso mostra que os fumantes podem efetivamente controlar seus desejos, só precisam ser informados de como fazer isso”, ressalta Hedy Kober, professor assistente de psiquiatria e principal autor do trabalho, publicado na Proceedings of National Academy of Sciences.

É o desejo que faz uma pessoa ter recaída e sair correndo para a padaria mais próxima comprar um maço de cigarros. É também este desejo que leva milhares de pessoas à morte anualmente. Enquanto alguns especialistas defendem que toxicodependentes podem ter algumas deficiências em áreas do córtex pré-frontal, que condicionam a “tendência ao vício”, os pesquisadores ainda não encontraram uma relação do tipo para viciados em tabaco.

“Não vemos nenhum prejuízo no córtex pré-frontal, o que sugere que o cérebro é capaz, quando solicitado, de recrutar regiões de controle para reduzir o desejo”, explica Kober. Neste sentido, a terapia cognitivo-comportamental se mostra bastante eficaz.

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