Marmotas estão ficando mais gordinhas com aquecimento global

Hibernação menor em função dos verões mais longos permite alimentação mais reforçada e mais tempo livre para a reprodução.

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22 Julho 2010 | 17h03

Crédito: Wikipedia-Inklein.

Crédito: Wikipedia-Inklein.

Que a obesidade está se tornando um problema de saúde global, todo mundo já sabe. A novidade é que as fofinhas marmotas estão se tornando fofinhas demais. A explicação para isso, no entanto, não está nas fast-foods: de acordo com uma pesquisa realizada pela Universidade College London, no Reino Unido, o ganho de peso é resultado do aquecimento global.

Em função da mudança climática, de verões mais longos e temperaturas mais altas, estes roedores (marmotas de barriga amarela) estão hibernando por um tempo mais curto. Resultado: têm mais tempo para a reprodução e para ganhar peso antes de entrarem no próximo período de hibernação. Portanto, crescem não apenas de tamanho como em termos populacionais.

As marmotas de barriga amarela estão adaptadas a viverem em ambientes com um verão curto e um longo inverno – ocasião em que aproveitam para tirar a soneca prolongada de até oito meses. Se o ganho de peso antes desta temporada “em off” não for muito grande, é possível que o animal morra nos períodos mais frios do ano, quando chegam a perder cerca de 40% do peso durante a hibernação.

“Temos observado alterações na massa corporal de marmotas ao longo dos últimos 23 anos e as mudanças no tamanho da população na última década, mas não sabemos o que pode acontecer no futuro”, diz Arpat Ozgul, responsável pelo estudo. ”Suspeitamos que esse aumento populacional seja uma resposta de curto prazo o alongamento dos verões”.

Os resultados do estudo mostram que a massa média de marmotas adultas aumentou 339 gramas. O crescimento populacional aumentou de 0,56 marmotas por ano entre 1976e 2001 para 14,2 entre 2001 e 2008.

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