Droga que diminui tumores benignos reduz riscos de câncer de próstata

Dutasteride pode oferecer uma nova forma de reduzir risco em homens com tendência de desenvolver a doença e evitar tratamentos desnecessários.

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04 Abril 2010 | 13h29

Andriole é autor do estudo e também o primeiro pesquisador a avaliar a quimioprevenção em homens com risco elevado da doença. Crédito: Washington University School of Medicine in St. Louis.

Andriole é autor do estudo e também o primeiro pesquisador a avaliar a quimioprevenção em homens com risco elevado da doença. Crédito: Washington University School of Medicine in St. Louis.

Uma droga que já foi prescrita para diminuir tumores benignos mostrou ser capaz de reduzir o risco de câncer de próstata em 23% em homens com tendência à doença.

O estudo de quatro anos liderado por pesquisadores da Washington University em St. Louis, EUA, demonstrou que o dutasteride (Avodart) diminui significativamente a tendência que certos homens têm a serem diagnosticados com esse tipo de cancro: tumores que crescem de forma imprevisível, que levam muitos ao procedimento cirúrgico ou radioterapia, tratamentos que podem levar à incontinência urinária e impotência.

“O dutasteride pode oferecer uma forma de muitos homens reduzirem o risco de serem diagnosticados com câncer de próstata”, diz Gerald Andriole, autor do estudo e também primeiro pesquisador a avaliar a quimioprevenção em homens com risco elevado da doença. “Isso significa que muitos homens podem evitar o tratamento desnecessário de câncer de próstata, custos e efeitos colaterais do tratamento”.

O estudo envolveu 8.231 homens com idades entre 50 e 75 anos, aleatoriamente designados para receber placebo ou uma dose de 0,5 mg de dutasterida, uma droga conhecida por “encolher” a próstata. Essas pessoas tinham uma tendência maior para desenvolver o câncer de próstata, já que tinham níveis elevados de PSA (2,5ng/ml-10ng/ml), mas nenhuma evidência de câncer em biópsias realizadas seis meses antes do trabalho.

Os pesquisadores realizaram biópsias regulares nos homens – dois e quatro anos depois do estudo. Ao todo, 659 homens (19,9%) que tomaram dutasteride foram diagnosticados com câncer de próstata, em comparação com 858 homens (25,1%) que tomaram placebo. Nenhum dos homens envolvidos no estudo morreu de câncer de próstata.

Em homens com histórico familiar de câncer de próstata a droga reduziu o risco de desenvolver a doença em 31,4%. “A explicação mais provável para os resultados do estudo é de que o dutasteride mantém os tumores pequenos, ou mesmo encolhe os mesmos a ponto de não serem detectados por uma biópsia”, explica Andriole.

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