Medicamentos contra o câncer podem agir contra parasitas da leishmaniose

Proteínas associadas ao crescimento celular e câncer podem ser fundamentais para sobrevivência e infecção do Leishmania.

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16 Julho 2010 | 17h18

Na imagem, parasitas foram manchados para que compostos conhecidos como polifosfatos aparecessem amarelo. As estruturas onde normalmente são armazenados estes compostos são deformadas e vazias em parasitas mutantas sem a proteína quinase TOR. Crédito: Washington University in St. Louis.

Na imagem, parasitas foram manchados para que compostos conhecidos como polifosfatos aparecessem amarelo. As estruturas onde normalmente são armazenados estes compostos são deformadas e vazias em parasitas mutantas sem a proteína quinase TOR. Crédito: Washington University in St. Louis.

Um parasita que afeta pelo menos 12 milhões de pessoas no mundo, o Leishmania, poderia ser combatido com compostos desenvolvidos para trata o câncer e outras doenças. Pesquisadores da Escola de Medicina de Universidade de Washington em St. Louis, nos EUA, descobriram que quando uma proteína específica é deficiente, a infecção pode ser interrompida.

A equipe pesquisou o genoma do parasita para determinar se o mesmo contém três tipos de quinase TOR – as proteínas que estão associadas ao crescimento celular e câncer, alvo de muitos medicamentos recentes. Ao remover estas proteínas individualmente, os pesquisadores observaram que todos são fundamentais na capacidade de sobrevivência e infecção do Leishmania.

“Dada a grande quantidade de inibidores já disponível, acho que há uma boa chance de sermos capazes de identificar um composto que inibe especificamente uma das quinases TOR do Leishamia”, afirma Stephen Beverly, autor sênior do estudo.

A leishmaniose é transmitida principalmente por picadas de mosquitos flebotomíneos e é um problema de saúde pública na Ásia, África, Oriente Médio e países em desenvolvimento. Os sintomas incluem lesões graves na pele, febre, inchaço do baço e fígado e, em formas mais avançadas da doença, desfiguração da face. A forma mais severa é conhecida como febre negra, sendo fatal se não tratada.

Um artigo sobre as descobertas foi publicado no The Proceedings of the National Academy of Sciences.