Medicamentos já existentes podem ajudar a tratar rara doença fatal

Doença de Alexader poderia ser tratada com drogas aprovadas para outros fins e que podem reduzir a expressão gênica de GFAP.

root

19 Julho 2010 | 14h43

Embora a GFAP seja detectada no sistema nervoso central normal, sua função não é claramente compreendida, mas sabe-se que está associada aos astrócitos – células cerebrais e da medula espinhal em formato de estrela que executam uma série de funções essenciais. Crédito: Wikipedia.

Embora a GFAP seja detectada no sistema nervoso central normal, sua função não é claramente compreendida, mas sabe-se que está associada aos astrócitos – células cerebrais e da medula espinhal em formato de estrela que executam uma série de funções essenciais. Crédito: Wikipedia.

Alguns compostos usados em medicamentos já aprovados podem ser usados para tratar uma desordem neurológica rara e mortal que atinge principalmente bebês e crianças: a doença de Alexander. De acordo com pesquisadores liderados pela Universidade de Wisconsin-Madison, nos EUA, drogas existentes poderiam combater a superprodução de uma proteína que afeta o cérebro e desencadeia o problema.

O novo estudo, realizado nos últimos cinco anos, é promissor porque oferece esperança no alívio de uma doença que, de tão rara (ocorre em menos de 300 pessoas no mundo todo), move poucos estudos. A identificação de medicamentos já existentes que poderiam atuar contra o problema é animador.

“O que estamos esperando é algo que possamos usar para controlar a doença e melhorar a sobrevivência”, ressalta Albee Messing, responsável pela pesquisa. “Há realmente alguns compostos por aí que podem ser eficazes em manipular a expressão gênica no cérebro”.

Doença de Alexander

Descrita pela primeira vez em 1949, a doença de Alexander é causada por mutações em um gene chamado GFAP, que codifica a produção de uma proteína de mesmo nome (proteína glial fibrilar ácida). É caracterizada por convulsões, redução da substância branca cerebral, atrasos no desenvolvimento cognitivo e motoro e alargamento progressivo da cabeça.

Embora a GFAP seja detectada no sistema nervoso central normal, sua função não é claramente compreendida, mas sabe-se que está associada aos astrócitos – células cerebrais e da medula espinhal em formato de estrela que executam uma série de funções essenciais.

Embora o gene tenha sido identificado em 2001 pelo laboratório de Messing, o neurocientista acredita agora que a doença é mais do que a mera produção de uma proteína mutante: “Achamos que a superexpressão de GFAP é uma grande parte da imagem”, explica ele. “Os agregados da proteína afetam uma série de caminhos, e acreditamos que há um limiar tóxico; então, qualquer coisa que você pode fazer para diminuir a produção da proteína seria benéfica”.

A equipe desenvolveu experimentos com modelos animais, testando o efeito de 2880 medicamentos existentes em culturas pura de astrócitos de ratos. Dez drogas se mostraram particularmente eficazes, reduzindo a expressão gênica entre 37 a 86%. Uma das drogas, a climipramina – usada para tratar o transtorno obsessivo-compulsivo em pessoas – foi usada nos camundongos por três semanas, causando uma redução de quase 50% nos níveis de GFAP no cérebro.

Embora os resultados sejam animadores, a equipe adverte que novos estudos com animais devem ser realizados antes que um ensaio clínico com humanos possa ser contemplado.