Drogas protegem células nervosas dos efeitos do mal de Parkinson

Pesquisadores demonstraram que o uso de certos medicamentos pode proteger as células nervosas dos efeitos letais do Parkinson em ratos.

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23 Agosto 2010 | 20h59

Em pessoas com mal de Parkinson, há degeneração e morte celular dos neurónios produtores de dopamina.

Em pessoas com mal de Parkinson, há degeneração e morte celular dos neurónios produtores de dopamina.

Pesquisadores do Johns Hopkins demonstraram que o uso de certos medicamentos pode proteger as células nervosas dos efeitos letais do Parkinson em ratos. Os resultados do trabalho, publicados na Nature Medicine, indicam um alvo promissor para novos tratamentos contra a doença.

Estes medicamentos, recém-descobertos, bloqueiam uma proteína – a LRRK2 – que ao ser alterada leva ao Parkinson, doença que causa a deterioração do sistema nervoso – induzindo a tremores e problemas gerais de coordenação.

A LRRK2  é superativa em alguns pacientes com a doença, fazendo células nervosas murcharem e morrerem. Uma vez sendo mortal, os pesquisadores especulam que a proteína bloqueia a proteção contra as células nervosas. Ao testar drogas já disponíveis no mercado que bloqueiam a ação da LRRK2, adicionando fosfatos e outras proteínas, a equipe conseguiu determinar oito que conseguem fazer bem o trabalho.

Pesquisas anteriores já tinham demonstrado que duas delas conseguiam atravessar a barreira hemato-encefálica. Então, a equipe injetou estas duas drogas duas vezes por dia em roedores geneticamente modificados para carregar a LRRK2 do Parkinson, causando mudanças em seus cérebros. Após três semanas, os pesquisadores examinaram o cérebro dos animais, constatando que uma das drogas deu proteção quase completa para as células nervosas. O outro medicamento protegeu até 80% das células.

Embora os resultados tenham sido muito promissores, o desenvolvimento de compostos usando estas drogas, testes de efeitos colaterais e aprovação para o uso em seres humanos pode ainda levar muitos anos. Mesmo assim, os pesquisadores estão satisfeitos com os dados e acreditam que um inibidor de LRRK2 possa até mesmo ser capaz de tratar outras formas de doença de Parkinson.

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