Médicos podem prever melhor os efeitos do AVC com nova técnica

Método de varredura permite observação de alterações dos fluxos sanguíneos, mostrando se há interrupção de conexões entre os dois lados do cérebro.

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22 Março 2010 | 17h16

Alex Carter e Maurizio Corbetta descobriram que exame usado para estudo da organização do cérebro é uma boa ferramenta para o diagnóstico preciso de um paciente que sofreu AVC. Crédito: Robert Boston/Washington University in St. Louis.

Alex Carter e Maurizio Corbetta descobriram que exame usado para estudo da organização do cérebro é uma boa ferramenta para o diagnóstico preciso de um paciente que sofreu AVC. Crédito: Robert Boston/Washington University in St. Louis.

A recuperação de um paciente que sofreu um AVC, acidente vascular cerebral, depende muito da região do cérebro afetada e do dano que uma isquemia ou hemorragia causou ao órgão. Entretanto, neurologistas da Washington University School of Medicine-St. Louis, EUA, desenvolveram um mecanismo que permite prever melhor os efeitos do derrame e outras lesões cerebrais através de uma adaptação na abordagem de varredura desenvolvida para o estudo da organização do cérebro.

O exame de conectividade funcional (CF) de cérebros em repouso pode revelar a saúde das redes cerebrais que permitem conexões entre diferentes partes do cérebro. Utilizando o método, cientistas associaram danos causados na rede neural e a incapacidade dos pacientes.

“Médicos que tratam lesões cerebrais precisam de novos marcadores da função cerebral que possam prever os efeitos do dano, o que ajuda a determinar o tratamento e avaliar os seus efeitos”, diz Maurizio Corbetta, professor de neurologia, radiologia e neurobiologia. “Esse estudo mostra que as varreduras FC são uma forma potencialmente útil de obter esse tipo de informação“.


As varreduras para o FC são realizadas com scanners de ressonância magnética, permitindo aos pesquisadores a observação das alterações dos fluxos sanguíneos em diferentes regiões do cérebro. Durante os períodos de inatividade mental, o fluxo nas regiões que estão relacionadas em geral tende a subir e descer em sintonia.

O trabalho com 23 pacientes de AVC mostrou que danos que interromperam conexões de redes entre regiões de diferentes lados do cérebro levam a maiores prejuízos funcionais do que em lesões que afetam conexões entre as regiões do mesmo lado do cérebro. Por exemplo: lesões de um derrame no lado esquerdo do cérebro podem levar a problemas como o controle do braço direito, mas, as perdas podem ser bem piores se o lado esquerdo foi afetado de forma a interromper conexões com o lado direito.

 “Não é errado dizer que um lado do cérebro controla o lado oposto do seu corpo, mas estamos começando a perceber que isso simplifica as coisas”, diz Alex Carter, professor assistente de neurologia e um dos autores do trabalho. “Está começando a parecer que o bom funcionamento exige os dois hemisférios, competindo por atenção, empurrando um contra o outro para, assim, alcançar algum tipo de equilíbrio”.

O trabalho aparece na edição de março de Annals of Neurology.

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