Melancolia pode voltar a ser considerada desordem mental grave

Psiquiatra Gordon Parker defende seu retorno ao Manual Diagnóstico e Estatístico de Doenças Mentais como transtorno de humor grave.

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22 Março 2010 | 01h40

Para o professor de psquiatria Gordon Parker muitas vezes a melancolia é diagnosticada como depressão, embora exija um tratamento específico. Crédito: UNSW.

Para o professor de psquiatria Gordon Parker muitas vezes a melancolia é diagnosticada como depressão, embora exija um tratamento específico. Crédito: UNSW.

Melancolia não é só coisa de poeta. Aliás, parece que também não é só um estado temporário de espírito. O psiquiatra Gordon Parker, da University of New South Wales, na Austrália, agora está defendendo seu retorno como grave transtorno de humor. Banido do Manual Diagnóstico e Estatístico de Doenças Mentais na década de 1980, o problema é muitas vezes confundido como uma característica de uma depressão maior.

Para Parker, a melancolia é uma doença grave, porque está completamente alheia às circunstâncias. Sofredores simplesmente não conseguem ter “alto astral”. Desde a Antiguidade esteve relacionada ao medo, a falta de concentração, ansiedade e sentimentos de culpa. E, ao que tudo indica, nunca teve relação com a Lua.

Segundo os pesquisadores que defendem a retomada da melancolia como uma desordem mental, existem hoje muitas pessoas que recebem o tratamento errado para o problema. Isso pode ser perigoso, pois tratar um paciente melancólico com psicoterapia ou aconselhamento não ajuda muito, levando a maiores taxas de suicídio.


Parker está liderando um esforço internacional com mais 18 especialistas de cinco países para que a próxima edição do manual de diagnóstico venha transformada: “Acreditamos que a melancolia é um diagnóstico separado, uma condição que requer tratamento separado, completamente diferente da maioria dos quadros depressivos”.

Enquanto isso, o Black Dog Institute (onde Parker é diretor) está encabeçando um estudo para determinar os melhores tratamentos para a melancolia. A instituição, voltada para depressão, bipolaridade e outros transtornos de humor, está buscando voluntários para a pesquisa.

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