Melanoma NÃO é causado por exposição precoce a raios UVA

Dados de pesquisa refutam única evidência direta de que raios UVA causam agressivo câncer pele, o que não significa que sejam inofensivos.

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06 Maio 2010 | 01h21

De acordo com os pesquisadores, é possível que, em longo prazo, raios UVA também acelerem a progressão da doença maligna que está prestes a se tornar um melanoma.

De acordo com os pesquisadores, é possível que, em longo prazo, raios UVA também acelerem a progressão da doença maligna que está prestes a se tornar um melanoma. Crédito: Hélio Burzaca.

Pode ser que muito do que você tem ouvido falar a respeito dos raios solares esteja errado. Uma pesquisa realizada pelo MD Anderson Cancer Center, da Universidade do Texas, nos EUA, mostra que a exposição à luz UVA não causa melanoma (um tipo agressivo de câncer de pele).

Embora os raios UVB sejam considerados os grandes vilões, uma associação havia sido estabelecida em experiências anteriores. “Nossos dados refutam a única evidência direta de que raios UVA causam melanoma, o que não significa que eles sejam inofensivos”, diz David Mitchell, autor do estudo. “UVA só não são tão perigosos como pensávamos, porque não causam o melanoma”.

Raios UVA podem atuar como agentes cancerígenos responsáveis por carcinomas de células escamosas, provocando também o envelhecimento prematuro da pele e o enfraquecimento do sistema imunológico. De acordo com os pesquisadores, é possível que, em longo prazo, eles também acelerem a progressão da doença maligna que está prestes a se tornar um melanoma.

A equipe realizou testes com peixes híbridos para verificar a relação entre exposições aos diferentes tipos de radiação: “Descobrimos que a exposição ao UVB induz o melanoma em 43% dos 194 peixes pesquisados, um índice muito maior que os 18,5% do grupo de controle que não recebeu a exposição UV”, explica Mitchell.

Estes resultados já eram esperados, pois há uma associação forte entre exposição ao UV no começo da vida e o surgimento do melanoma. Contudo, apenas 12,4% dos 282 peixes expostos à UVA desenvolveram a doença, o que não é estatisticamente diferente do grupo de controle.

Onde tudo começou

Até 1993, quando uma pesquisa relacionou a exposição ao UVA e o desenvolvimento do melanoma, nenhum protetor solar protegia contra este tipo específico de raio – que compõe cerca de 90% da luz ultravioleta que recebemos do Sol. Depois disso, alguns pesquisadores questionaram a validade do trabalho por considerarem o número de animais usados nos experimentos insuficiente.

Usando o mesmo modelo com mais animais, os pesquisadores chegaram à conclusão de que, além de não causar melanoma, o grupo que recebeu raios UVA e que tiveram melanoma por outros fatores tiveram estágios bem menos avançados da doença do que em peixes expostos ao UVB.

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