Memória: primeira aprendizagem do cérebro é diferente da segunda

Mecanismo pelo qual o cérebro capta primeiramente uma situação é bem diferentes da forma como ele processa eventos similares depois.

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05 Outubro 2010 | 15h52

Localização do hipocampo no cérebro humano. Crédito: Wikipedia.

Localização do hipocampo no cérebro humano. Crédito: Wikipedia.

Um novo trabalho realizado por pesquisadores da Universidade da Califórnia, nos EUA, e da Austrália, pode ajudar pessoas que perderam a memória em função de lesões ou doenças cerebrais. Os pesquisadores mostraram que o mecanismo pelo qual o cérebro capta primeiramente uma situação e a codifica é bem diferente da forma como ele processa eventos similares depois.

As memórias são formadas na parte cerebral conhecida como hipocampo, estrutura que desempenha um papel crítico no processamento, armazenamento e recordação das informações. É uma região suscetível a danos por acidente vascular cerebral ou falta de oxigênio, estando fortemente envolvida no Alzheimer.

Quando uma memória é formada, uma pequena proteína envolvida na transmissão sináptica – os receptores NMDA – é indispensável ao processo. A ativação destes receptores permite que o cálcio entre no neurônio, e a permeabilidade do cálcio ativa uma cadeia de reações moleculares que ajudam a codificar experiências e consolidar a memória.

Até então, pensava-se que a memória não poderia ser formada na ausência desses receptores. Entretanto, as coisas não são bem assim: na “segunda aprendizagem”, quando as regras da primeira são aplicadas em uma nova situação, embora semelhante, outra classe de receptores – os receptores AMPA, também do tipo cálcio permeável – assume a tarefa.

A descoberta abre novos caminhos no entendimento e tratamento de doenças como o Alzheimer. “Isto é apenas o começo. Descobrimos um mecanismo que contribui para a aprendizagem e a memória, e agora temos que descobrir o que fazer com ele”, ressalta Michael Fanselow, professor de psicologia da UCLA e membro do Brain Research Institute. “Quando é normalmente importante? Quando é que podemos utilizá-los para assumir a função, quando o mecanismo normal não está funcionando? Podemos usá-lo como proteção nas doenças como o mal de Alzheimer, em que neurônios estão morrendo? Podemos estimular caminhos?”.

Muitas pesquisas ainda devem ser realizadas para responder as perguntas. Até agora, o que se sabe é que cientistas dispõem de um novo alvo para o desenvolvimento de medicamentos diferentes dos atualmente usados estimulantes cognitivos.

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