Memorização de fotos é melhor quando há pessoas na imagem

Pessoas memorizam melhor fotos de pessoas do que fotos de paisagens, como montanhas e lagos, ou de objetos em escala humana.

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24 Maio 2011 | 16h58

Qual destas imagens chama mais a sua atenção? Crédito: MIT.

Qual destas imagens chama mais a sua atenção? Crédito: MIT.

Um novo estudo do Massachusetts Institute of Technology mostra que pessoas memorizam melhor fotos de pessoas do que fotos de paisagens, como montanhas e lagos, ou de objetos em escala humana. Mesmo que sejam muito bonitos, cenários podem ser facilmente esquecidos. “Simpatia e memorização não são a mesma coisa”, explica o estudante de pós-graduação do MIT Phillip Isola, um dos principais autores do artigo que será apresentado na IEEE Conference on Computer Vision and Pattern Recognition, que será realizada entre 20 e 25 de junho em Colorado Springs.

O estudo é o primeiro a pontuar o que faz uma imagem ser memorável – algo que se pensava ser impossível no meio científico, já que a memória visual é algo muito subjetivo. Os pesquisadores ficaram supresos ao ver que há uma coerência notável entre centenas de pessoas que participaram dos experimentos de memória. Usando suas conclusões a partir de seres humanos, os pesquisadores desenvolveram um algoritmo de computador que é capaz de classificar imagens baseadas na memorização. A ideia pode ser útil para designers gráficos, editores de fotos ou para qualquer pessoa que deseje escolher as melhores fotos para publicar em suas redes sociais, por exemplo.

Pesquisas anteriores já tinham mostrado que o cérebro humano pode lembrar milhares de imagens com um detalhamento incrível. Contudo, nem todas as imagens são igualmente memoráveis. Então, para o novo trabalho, a equipe elaborou uma coleção de cerca de 10 mil imagens de todos os tipos – decoração, paisagens, ruas, entre outras. Voluntários observaram as imagens e tinham que indicar, pressionando uma tecla do computador, fotos que já tinham visto. Em geral, diferentes pessoas tendem a produzir memórias semelhantes. “Há sempre diferenças entre os observadores, mas, em média, há coerência muito grande”, explica Oliva.

Após a coleta de dados, os pesquisadores fizeram “mapas de memorização” de cada imagem, pedindo às pessoas para etiquetar os objetos presentes nas imagens. Um modelo de computador então analisou os mapas para determinar quais objetos tornavam uma imagem inesquecível. Os resultados mostram que as pessoas tendem a memorizar melhor fotos com pessoas. Em segundo lugar, fotos em escala humana – como corredores de produtos de supermercado ou imagens de objetos maiores. Menos memoráveis são as paisagens naturais, embora as fotos pudessem se tornar mais memoráveis pela presença de algum elemento inesperado, como arbustos podados de forma diferente.

“Houve muito trabalho na tentativa de compreender o que faz uma imagem interessante ou atraente, ou o que faz pessoas gostarem de uma imagem em particular”, diz Alexeu Efros, professor associado de ciência da computação na Carnegie Mellon University, que não esteve envolvido no estudo. “O que eles fizeram foi basicamente abordar o problema do ponto de vista científico e dizer que uma coisa que podem medir é a memorização”.

A equipe usou técnicas de aprendizagem de máquinas (um tipo de análise estatística que permite ao computador identificar padrões em dados) para criar um modelo computacional que analisa imagens e a capacidade de serem notadas por seres humanos. Para cada imagem, o modelo computacional analisou estatísticas diferentes – cor, distribuição de arestas, etc – e correlacionou com a memorização da imagem.

Isso permitiu que a equipe gerasse um algoritmo para prever a memorização das imagens, mesmo de fotos que o computador não tenha “visto” anteriormente. Além de auxiliar editores de livros, por exemplo, a escolher a melhor capa para uma publicação, o recurso poderia ser explorado por fabricantes de câmeras, pois um aplicativo poderia informar os usuários se uma foto será memorável ou não. Além disso, outras aplicações possíveis seriam testes de memória para avaliar aspectos da memória visual deficiente em determinados distúrbios psicológicos ou do cérebro, ou jogos para ajudar a treinar a memória.

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