Companhia "ruim" pode aumentar "tendência genética" para o vício

Ligação, que não é apenas subjetiva, mas “mesclada” por fatores genético, pode transformar o que já é ruim em algo ainda pior.

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13 Julho 2010 | 18h30

Crédito: Washington University School of Medicine in St. Louis.

Crédito: Washington University School of Medicine in St. Louis.

O ditado alerta: “Diga-me com quem tu andas, e direi quem tu és”. De acordo com uma pesquisa realizada pela Universidade de Washington, nos EUA, a afirmação é particularmente verdadeira em pessoas que se relacionam com consumidores regulares de cigarro, álcool e maconha. A ligação, que não é apenas subjetiva, mas “mesclada” por fatores genético, transforma o que já é ruim em algo ainda pior.

Em um artigo na revista Addiction, pesquisadores mostraram que a companhia de indivíduos politicamente incorretos permite que certas tendências genéticas para o uso de substâncias se tornem mais “robustas”. “Consideremos os nossos parceiros como uma parte externa do ambiente em que vivemos, mas os pares que selecionamos são reflexo de nós mesmos”, afirma Arpana Agrawal, primeira autora do trabalho. “Além disso, quanto mais amigos usuários de substâncias tem uma pessoa, mais influência genética em torno do uso de substâncias por esta própria pessoa”.

O estudo com mais de 2 mil gêmeos mostra que 42% da variação no uso regular de substâncias entre mulheres pode estar relacionada a fatores genéticos. Usando métodos estatísticos, a equipe foi capaz de determinar que esta influência pode ser reduzida em até 10% entre as que andam com pessoas que não consomem substâncias regularmente e aumenta quase 60% nas que têm amigos que ingerem álcool frequentemente ou drogas.

Mais do que indicar que uma influência genética seja despertada pela companhia de parceiros, o trabalho mostra que grupos podem ser formados porque os fatores genéticos condicionam a procura por pessoas que usam – ou não – drogas. “É como fazer uma coisa ruim ainda pior”, ressalta Agrawal, professora do Departamento de Psiquiatria da universidade. “A predisposição para o uso da substância tende a fazer com que uma pessoa se aproxime de colegas que também usam álcool ou drogas e, na companhia deles, os fatores genéticos para o uso de drogas se tornam mais pronunciados”.

Genética dos gêmeos

O estudo com gêmeos idênticos – que têm 100% de material genético igual – é capaz de oferecer aos pesquisadores a identificação de influências do DNA e fatores ambientais. Gêmeos não-idênticos são aproximadamente 50% similares em termos de genoma. Ao analisar os dois tipos, pesquisadores podem atribuir certos comportamentos de risco de acordo com estatísticas observadas entre eles.

No caso do uso de substâncias, os pesquisadores são categóricos em dizer que, embora haja uma influência genética para um comportamento específico, é preciso que genes e ambiente interajam e se influenciem mutuamente. “É quase como se tudo fosse hereditário”, ressalta a pesquisadora. “Nossos genes influenciam o ambiente em que vivemos, tanto quanto eles influenciam coisas como altura e peso. Um clássico exemplo seria uma criança inteligente que herda genes de pais inteligentes, mas cujos pais também fornecem vários livros para ela ler”.

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