MicroRNA aumenta número de células-tronco do sangue no organismo

Molécula aumenta as células-tronco do sangue suprimindo o processo normal de morte celular, tornando-se alvo para novas terapias.

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04 Agosto 2010 | 17h51

Pesquisadores do Massachusetts General Hospital e Harvard Stem Cell Institute, nos EUA, descobriram um novo mecanismo que controla o número de células-tronco hematopoiéticas (células que dão origem ao sangue e células do sistema imunológico) no organismo: a atuação de uma pequena molécula de RNA. A descoberta pode melhorar os tratamentos de doenças como o câncer.

“Esta nova molécula aumenta as células-tronco do sangue suprimindo o processo normal de morte celular”, explica David Scadden, autor sênior do estudo e diretor do Centro de Medicina Regenerativa do MGH. “Nós sabíamos que estes RNAs não-codificados podem definir o que uma célula imatura se tornará, mas nenhuma capaz de dizer ao sistema de célula-tronco do sangue se deve viver ou morrer havia sido identificada”.

Os microRNAs, cadeias curtas de RNA que não estão envolvidas na produção de proteínas, podem ligar ou desligar a expressão de seus genes, desempenhando um importante papel na diferenciação celular (incluindo o processo pelo qual as células-tronco hematopoéticas amadurecem como glóbulos vermelhos ou glóbulos brancos).

A equipe descobriu que a perda da enzima Dicer, essencial para a criação de microRNAs, causa a morte das células-tronco hematopoéticas. Isso sugere que os microRNAs estejam envolvidos na regulação dos níveis destas células estaminais.

Outras pesquisas conseguiram identificar um conjunto de microRNAs presente quando os níveis de células-tronco hematopoiéticas eram altos, mostrando que o miRNA-125 aumentava o número de células pela proteção contra o processo de morte células que naturalmente limita as populações de células. Um estudo demonstrou que níveis elevados de miRNA-125 poderiam conduzir a um tipo agressivo de leucemia em roedores. “Estas moléculas modificam a quantidade células de formas que podem ser tanto benéficas como prejudiciais, então é importante entender as diferenças”, ressalta Scadden.

O objetivo dos pesquisadores agora é encontrar maneiras de expandir a população de células-tronco, detendo brevemente a proteção contra a morte celular. Desta forma, eles poderiam ultrapassar a barreira atualmente existente no uso de células-tronco em transplantes para pacientes com insuficiência arterial, leucemia e linfoma.