Mistérios da calota de gelo do polo norte de Marte são desvendados

Dados de radar fornecem informações que revelam geologia subterrânea da calota de gelo, responsável por formação de grande abismo.

taniager

27 Maio 2010 | 13h59

A imagem, que combinou dados de dois instrumentos a bordo da nave espacial Mars Global Surveyor da NASA apresenta uma visão orbital da região do polo norte de Marte. Crédito: cortesia da NASA.

A imagem, que combinou dados de dois instrumentos a bordo da nave espacial Mars Global Surveyor da NASA apresenta uma visão orbital da região do polo norte de Marte. Crédito: cortesia da NASA.

Há quatro décadas os astrônomos tentam solucionar os mistérios que envolvem a calota polar de gelo em Marte. Várias hipóteses foram levantadas na tentativa de explicar as causas que determinaram a textura formidável da calota polar norte (veja imagem). Finalmente, com o apoio de dados coletados pela sonda Mars Reconnaissance Orbiter (MRO) da NASA, os cientistas conseguiram novas informações sobre a mudança climática no planeta vermelho. Os resultados foram divulgados pela NASA ontem.

Os dados enviados pelo radar Shallow, ou SHARAD, a bordo da sonda MRO, fornecem informações que revelam a geologia subterrânea da calota de gelo, responsável pela formação de um grande abismo e uma série de depressões espiraladas.  

Enquanto na Terra as grandes camadas de gelo são modeladas principalmente por fluxo de gelo, em Marte outras forças estão atuando.

A calota polar norte é uma pilha de gelo e poeira depositados em uma área um pouco maior que a área do Texas – maior que a do Estado do Mato Grosso. A calota pôde ser descamada,  como em uma cebola, para visualização e compreensão de sua evolução ao longo do tempo, com a ajuda da análise dos dados feita por um computador.

Uma das características mais distintivas da calota de gelo polar norte, o Chasma Boreale, é um canion quase tão longo quanto o Grand Canyon nos EUA, porém mais profundo e mais largo. Duas hipóteses tentavam explicar sua formação: uma inudação catastrófica foi disparada pelo derretimento da parte inferior do manto de gelo, ou; fortes ventos polares o esculpiram.  

Além do canion, outra forma enigmática se apresenta na calota de gelo. É uma espiral formada por canais que mais parece um gigantesco catavento. Sua formação também envolve várias hipóteses sendo que duas delas prevalecem. A primeira propõe que com a rotação de Marte, o gelo mais próximo aos pólos move-se mais lentamente que o gelo mais distante, fazendo com que o gelo semifluido  trinque. A segunda, por sua vez, decorre de um modelo matemático que sugere uma união de canais em espiral devido ao aumento de aquecimento solar em certas áreas e à condução de calor lateral.

Agora, os cientistas em posse dos novos dados concluíram que tanto o canion quanto os canais em espiral foram modelados pelo vento.  As texturas se formaram ao longo de milhões de anos durante o crescimento do manto de gelo. Os padrões de vento influenciaram a forma mais antiga e original do gelo que, por sua vez, controlou onde e como as texturas podiam se desenvolver.

Para Jack Holt, do Instituto de Geofísica de Austin da Universidade do Texas “as camadas registram um histórico da acumulação, erosão e circulação do vento no gelo. Agora podemos recuperar um histórico do clima bem mais detalhado, diferente do que podíamos fazer antes.”

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