Molécula veste célula humana com armadura contra o vírus HIV

Novo método, que impede fusão de membranas entre célula e vírus da Aids, oferece uma estratégia promissora contra a doença.

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30 Julho 2010 | 12h29

Membrana celular é a porta de entrada para o vírus, que se conecta a receptores específicos para dar início às atividades.

Membrana celular é a porta de entrada para o vírus, que se conecta a receptores específicos para dar início às atividades.

Os dias de glória do vírus HIV podem estar chegando ao fim: uma equipe liderada pela Universidade do País Basco desenvolveu um novo método para o organismo lidar contra estes importunos invasores, que funciona como uma armadura para as células suscetíveis de serem infectadas.

A pesquisa estabelece as bases de futuros possíveis remédios que permitam combater o vírus HIV em sua fase inicial, com base na regulação da fluidez de membranas celulares visando evitar a chamada fusão de membranas – consequência do contato entre o revestimento das células com o revestimento do vírus.

A membrana é a roupa do citoplasma da célula que a protege do exterior. Tem estrutura similar ao revestimento do vírus da Aids. Quando as duas entram em contato, e pelo fato de as membranas serem muito frágeis, um orifício é criado permitindo a fusão. É a porta de entrada do inimigo, que se conecta a um receptor específico para dar início às atividades.

Os pesquisadores desejam fazer com que a estrutura da membrana celular se torne mais rígida, evitando a fusão e a inoculação do vírus. Atualmente, quase todos os tratamentos para a doença se baseiam na luta contra o progresso viral dentro das células.

“Para que as membranas celulares e os vírus se unam e o orifício seja aberto permitindo a entrada, as membranas devem ter um certo grau de fluidez, ou mobilidade”, ressalta Félix Goñi, responsável pelo estudo. “Descobrimos um método para fazer as membranas celulares mais rígidas”. Isso poderia levar ao desenvolvimento de medicamentos mais potentes.

A equipe sintetizou a molécula GT11 que, incorporada à membrana celular, as torna mais rígidas. O resultado é uma carcaça dura que não permite a fusão com o vírus. “Há medicamentos, e que estão funcionando bem, para evitar a propagação do vírus quando ele já está dentro da célula”, ressalta Goñi. “Mas, para impedir este inoculação em primeiro lugar, apenas um produto (Enfurvitide) existe; porém esta droga é baseada em princípios completamente diferentes”.

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