Cobra tem mecanismos específicos de mordida para sua vítima

Serpentes e répteis mais venenosos do mundo possuem dentes maciços, e não ocos. Mas como fazem para injetar o veneno?

taniager

16 Maio 2011 | 16h09

Fotografia mostra sulco em dente de serpente leutiginosum Bothryum. Crédito: Universidade de Munique.

Fotografia mostra sulco em dente de serpente leutiginosum Bothryum. Crédito: Universidade de Munique.

Cobras injetam seus venenos usando seus dentes ocos, certo? Nem todas! As serpentes e répteis mais venenosos do mundo possuem dentes maciços. Cientistas acabam de descobrir o truque usado por estes animais para injetar o veneno com sucesso. Mas como fazem isso?

Apenas um sétimo das cobras venenosas, como a cascavel, possuem dentes ocos. A maioria desenvolveu outro sistema – as víboras de mangue Boiga dendrophila, por exemplo. O biofísico Leo van Hemmen da Universidade Tecnológica de Munique, Alemanha, e o biólogo Bruce Young da Universidade de Massachusetts Lowell, EUA, observaram que a pele da vítima é perfurada pelas duas presas da víbora e o veneno escorre entre os dentes e o tecido, chegando assim à ferida. Mas há uma maneira ainda mais fácil: muitas presas venenosas têm um simples sulco nos dentes ao longo do qual o veneno flui.

Os pesquisadores se perguntaram como este método simples poderia ser tão bem sucedido de uma perspectiva evolucionista, uma vez que as penas de aves, por exemplo, seriam capazes de limpar facilmente o veneno depositado no sulco dos dentes deste predador. Para chegar ao fundo do mistério, os pesquisadores investigaram a tensão superficial e viscosidade de vários venenos de cobra e descobriram que são incrivelmente viscosos.

A tensão superficial é tão alta quanto à da água. Como resultado, a energia de superfície puxa as gotas do veneno de dentro do sulco do dente para fora. No curso da evolução, as cobras se adaptaram às suas respectivas vítimas preferidas ao usar uma combinação ótima de geometria ideal do sulco dental e viscosidade do veneno. As serpentes que se alimentam de aves desenvolveram sulcos profundos para impedir que o veneno viscoso fosse removido pelas penas.

Os pesquisadores também descobriram como a cobra injeta o veneno sob a pele da vítima. Afinal, é neste local que se dá o efeito mortal. Quando a serpente morde, os sulcos dos dentes e o tecido que o circunda formam um canal. E o veneno tem uma propriedade especial para facilitar a absorção: como o ketchup, que se torna mais fluido quando chacoalhado, a pura força resultante da sucção torna o veneno menos viscoso, permitindo que flua através do canal rapidamente como resultado da tensão superficial.

Os cientistas denominam as substâncias com estas características de fluídos Newtonianos. Estes fluídos têm uma consequência prática para as cobras: enquanto não há nenhuma presa à vista, o veneno permanece viscoso e pegajoso no sulco. Quando a serpente ataca, gotas venenosas fluem ao longo do sulco – assim como o vinho ao longo de uma garrafa – e passam para a ferida, onde o veneno tem seu efeito letal.