Motorista perde 20% da habilidade de memorizar história ao dirigir

Conversar no carro pode dificultar o trabalho do motorista, mas o inverso também é verdadeiro: dirigir reduz a capacidade de compreensão.

root

29 Janeiro 2010 | 17h58

Dell Gary e colegas da Universidade de Illinois descobriram que motorista perde cerca de 20% da habilidade de memorizar uma história enquanto dirigem. Crédito: L. Brian Stauffer.

Dell Gary e colegas da Universidade de Illinois descobriram que motorista perde cerca de 20% da habilidade de memorizar uma história enquanto dirigem. Crédito: L. Brian Stauffer.

Dirigir e falar não são tarefas fáceis de se fazer ao mesmo tempo. Conversar no carro pode dificultar o trabalho do motorista, mas o inverso também é verdadeiro: dirigir reduz a capacidade de compreensão e fala. É o que afirmam pesquisadores da Universidade de Illinois.

Este é o primeiro estudo a mostrar que a condução de um carro pode afetar as habilidades linguísticas. Dois estudos anteriores relatavam que dirigir não comprometia a articulação e interpretação em um diálogo. Segundo o psicolinguista Gary Dell, responsável pelo estudo, estes resultados não faziam nenhum sentido, porque o processo de falar e compreender o que alguém fala não é tão simples como se supõe. A construção de um diálogo demanda atenção, e ao dirigir, duas tarefas estão “competindo” no cérebro.

Para o estudo, os pesquisadores utilizaram um simulador de direção, onde participantes trabalharam em pares: um era o motorista e o outro um interlocutor, que ficou dentro do carro e fora dele – conversando através do celular. Metade era adulta, com idade superior a 65 anos, e outra metade formada por jovens de até 20 anos.

Então, os condutores deveriam escutar uma história inédita em um carro em movimento – no meio de um trânsito pesado – e no carro parado, e contar depois o que escutaram. Usando fones de ouvido e microfones, os participantes escutaram quatro histórias. Depois de deixar o simulador, todos tiveram que recontar o que havia sido dito.

Como era de se esperar, a capacidade de lembrar e contar a história foi bem mais baixa em que estava dirigindo durante o teste. O desempenho dos indivíduos mais velhos foi igual ao dos jovens.

Em contraste, os condutores conseguiram recontar 20% da história passada enquanto o carro esteve parado. Também foi observado que os declínios na precisão dos dados eram mais pronunciados em partes que o condutor esteve em cruzamentos ou ruas mais movimentadas.

Pode não parecer nenhuma novidade, mas a pesquisa mostra o sistema de compensação quando pessoas tentam se comunicar durante a execução de outras tarefas. Num mundo em que cada vez mais pessoas falam enquanto fazem outras coisas, talvez seja hora de repensar se estamos, de fato, compreendendo bem uns aos outros.