Pesquisa mostra que um machão ao volante é perigo constante

Pesquisa demonstra que quanto mais “macho” é o homem, mais ele se arrisca quando dirige.

taniager

26 Maio 2010 | 16h10

Motoristas agressivos querem expressar sua masculinidade e este comportamento pode servir para a previsão de uma conduta perigosa no trânsito.

Pesquisa demonstra que quanto mais “machão” é o homem, mais ele se arrisca quando dirige. Apresentado na conferência anual da Association francophone pour le savoir (ACFAS) e publicado hoje pela Universidade de Montreal, no Canadá, o estudo pode servir para implementar políticas de segurança pública no trânsito.

Julie Langlois, estudante graduada do Departamento de Psicologia  da universidade referida e autora do experimento, utilizou uma amostra com 22 homens sentados em um simulador de carro. Sem que soubessem que estavam sendo avaliados, eles receberam a ordem  “pegue aquele carro ! ”  

Os participantes não foram orientados à desobedecer leis, mas sim, informados de que outro grupo de indivíduos havia realizado o mesmo teste em sete minutos.   

A hipótese do estudo era a de que motoristas hipermasculinos, ou simplesmente “machões”, se arriscavam mais para alcançar o carro.

Primeiramente Langlois se baseou em uma pesquisa americana de 2004 para identificar o que era ser  um homem “macho”. Este estudo havia utilizado um questinário com  60 declarações do tipo “homens que choram são fracos”, ou “em geral, homens são mais inteligentes do que mulheres”. Os indivíduos responderam às questões conforme uma  escala de um a cinco (entre discordar fortemente e concordar fortemente).  

O objetivo da pesquisa de Langlois era aprofundar o conhecimento obtido por estudos anteriores que revelaram ser os homens hipermasculinos mais agressivos quando dirigiam nas estradas. E o resultado apontou uma ligeira tendência deste tipo de indivíduos ao risco.

Para a pesquisadora, “alguns homens desenvolvem tal paixão por guiar, que os leva à obsessão. Eles consideram os carros como uma extensão de si mesmos e se tornam extremamente agressivos se alguém buzina para eles ou se são cortados no trânsito”.  

Alguns participantes levaram cinco minutos para pegar o carro enquanto outros, que eram menos perigosos na direção, gastaram 12 minutos.   

O estudo de Langlois mostra que comportamentos agressivos estão profundamente enraizados no estereótipo do que é ser masculino. Motoristas agressivos querem expressar sua masculinidade e este comportamento pode servir para a previsão de direção perigosa.

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