Parada cardíaca: mais vidas podem ser salvas apenas com massagem torácica

Especialista em ressuscitação cardiopulmonar afirma que respiração boca a boca deve ser deixada em segundo plano por leigos.

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28 Julho 2010 | 22h31

Novas diretrizes devem recomendar uma constante de cem compressões por minuto no peito, com menos ênfase na respiração.

Novas diretrizes devem recomendar uma constante de cem compressões por minuto no peito, com menos ênfase na respiração.

Reconsidere o que você aprendeu nas aulinhas de primeiros socorros: ao tentar salvar uma vítima de parada cardíaca, o melhor mesmo é ficar apenas com a parte que aprendeu sobre massagens cardíacas. É que um dos principais especialistas em ressuscitação cardiopulmonar dos EUA afirma que a respiração boca a boca pode não ser uma boa ideia para quem não é suficientemente treinado para a tarefa.

As conclusões do perito estão de acordo com a última declaração da American Heart Association (AHA), publicada em 2008, em que recomenda para espectadores despreparados apenas a compreensão no peito. Em um editorial que acompanha o novo estudo, a ser publicado no New England Journal of Medicine, o cardiologista Myron “Mike” Weisfeld, médico-chefe do Hospital Johns Heopkins diz que o menos pode ser melhor nestes casos. Ou seja: fique mesmo focado na massagem. Mais vidas poderão ser salvas.

Os dois estudos foram realizados entre 2004 e 2009 envolvendo mais de 3 mil homens e mulheres que necessitaram de massagem cardíaca. Os pesquisadores concluíram que as taxas de sobrevivência de pessoas que receberam compressão torácica foram similares as de indivíduos que foram instruídos a fazer a massagem padrão e a respiração de emergência.

“É muito importante compreender que os pacientes deste estudo eram adultos e que para a maioria das crianças que sofre de parada cardíaca, como vítimas de afogamentos, devemos fazer a respiração de emergência”, ressalta Weisfeldt, ex-presidente da AHA. Adultos que sofrem de insuficiência cardíaca súbita aguda, doença pulmonar crônica grave ou asma podem precisar de uma respiração boca a boca também. Mas, para quem não é bem treinado, as compressões no tórax pode garantir a vida até que a ambulância chegue.

Novas diretrizes devem recomendar uma constante de cem compressões por minuto no peito, com menos ênfase na respiração.

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