Câncer: descoberto defeito específico que altera produção de proteínas

Hiperatividade do mTOR leva a uma queda na síntese de proteínas e células passam a se multiplicar rapidamente sem controle no corpo.

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18 Março 2010 | 02h37

Gene é um segmento de um cromossomo a que corresponde um código distinto, uma informação para produzir uma determinada proteína ou controlar uma característica. Transformações no gene podem levar a resultados drásticos no organismo.

A informação para a produção de uma determinada proteína é dada pelo gene. Uma alteração nesse processo pode ter resultados drásticos no organismo.

Cientistas da Universidade da Califórnia em São Francisco descobriram que um defeito celular específico, que altera a produção de proteínas em células humanas, pode levar ao câncer. O mais importante, na verdade, é que uma nova geração de drogas inibidoras promete corrigir exatamento esse problema. As descobertas podem ter implicações nos tratamentos de linfoma, câncer de próstata, mama, colorretal, cerebral e mieloma múltiplo.

Durante o trabalho, os pesquisadores deram atenção a uma unidade de proteína conhecida como mTOR, responsável pelo controle de vários processos importantes nas células de mamíferos – incluindo a sobrevivência e proliferação celular.

Um dos processos do corpo mais importantes é a produção de proteínas dentro de uma célula. O mTOR integra informações sobre a célula e as necessidades nutricionais de energia, solicitando que a célula fabrique proteínas-chave para o crescimento celular. Células cancerosas podem se aproveitar disso para o próprio crescimento.

Quando as células do corpo perdem a habilidade de controlar a atividade do mTOR, ele é considerado hiperativo. Esta condição leva à queda de síntese de proteínas. As células começam a se multiplicar indiscriminadamente, simultaneamente se tornando “imortais“, resultando em um tumor.

“Nossas descobertas mostram que para um célula de câncer, funções normais celulares como a síntese de proteínas podem ser especificamente desviadas para o crescimento do tumor“, explica Andrew Hsieh, da Universidade da Califórnia em São Francisco.

Inibidores de mTOR

Testes com drogas de primeira geração, como o inibidor de mTor rapamicina, resultam, em partes, na limitação inadequada da síntese de proteína causada pela hiperatividade do mTOR.

Pesquisadores do laboratório fizeram a descoberta através de testes genéticos que demonstram que genes saudáveis, responsáveis pela produção de uma proteína, podem se tornar genes do câncer quando o mTOR é hiperativo.

Para combater isso, os cientistas empregaram um novo medicamento chamado PP242, droga descoberta também em um laboratório da universidade. Os experimentos foram promissores, porque reduziram os níveis de síntese de proteínas e proliferação celular. Agora, os testes estão na fase 1 dos ensaios clínicos.

Para os autores da pesquisa, o PP242 poderia se tornar um tratamento potente contra o câncer. Os resultados são um passo positivo, porque o que anteriormente era considerado um tumor resistente pode agora ser tratado com a segunda geração de inibidores que param a ação do mTOR na produção de proteínas.

O estudo foi publicado no periódico científico Cancer Cell.

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