Nanoesponjas podem triplicar atuação da quimio contra o câncer

Método é de três a cinco vezes mais eficaz em reduzir o crescimento de tumores do que a injeção direta de um medicamento.

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02 Junho 2010 | 14h24

Nanomedicina usa nanopartículas, nanorobôs e outros elementos em escala nanométrica para curar, diagnosticar ou prevenir doenças.

Nanomedicina usa nanopartículas, nanorobôs e outros elementos em escala nanométrica para curar, diagnosticar ou prevenir doenças.

E se o sistema de entrega de uma droga no organismo fosse um pouco diferente? Pensando nisso, pesquisadores dos EUA resolveram testar um novo material chamado nanoesponja. De acordo com um artigo publicado na revista Cancer Research, o método é de três a cinco vezes mais eficaz em reduzir o crescimento de tumores do que a injeção direta de um medicamento.

A técnica se baseia em minúsculas esponjas, do tamanho de um vírus, com medicamento acoplado e algumas substâncias especiais que as fazem “grudar” em células cancerosas, injetando a droga – seja por meio de um furo na célula ou literalmente entrando na célula do tumor, onde libera a carga de forma controlável e previsível.

Sistemas de entrega alvejada como esta apresentam muitas vantagens: em primeiro lugar, a terapia é seletiva, o que significa que tem como alvo apenas células mutantes e prejudiciais, não interferindo muito no sistema imunológico e células saudáveis do corpo. Além disso, resulta em menos efeitos colaterais por não entrar em contato com tecidos saudáveis. Atuando dentro da célula cancerosa, é mais potente.

Pequeno robô biodegradável

O material é, na verdade, uma rede tridimensional formada por uma espécie de espinha dorsal de poliéster misturado com solução de pequenas moléculas cruzadas que atuam como braços minúsculos. Desta maneira, consegue unir partes do polímero. Em cavidades deste nanorobô, a droga é armazenada.

“A liberação previsível é uma das principais vantagens deste sistema, em comparação com outros sistemas de distribuição de nanopartículas em desenvolvimento”, explica Eva Hart, responsável pelo trabalho. “Quando chegam ao seu destino, muitos outros sistemas descarregam a droga de forma rápida e descontrolada. Este é o chamado efeito ‘burst’, que torna difícil determinar níveis eficazes de dosagem”.

Mais: as nanoesponjas são solúveis em água, o que permite a entrega de drogas anticâncer hidrofóbicas – mais potentes do que aquelas que são misturadas com outras substâncias químicas (reagentes adjuvantes) e que produzem efeitos colaterais. E podem ser construídas em diferentes tamanhos, permitindo atuar em diferentes células, de forma relativamente simples em termos químicos. “Outros sistemas de distribuição de drogas requerem uma química complexa que se torna a produção em escala comercial complicada, mas nós temos e continuamos a manter isso em mente”, ressalta Harth.

Primeira atuação feliz

Em experiências com roedores, os pesquisadores tiveram um peptídeo alvo que se liga – seletivamente – aos tumores tratados com radiação. A droga acoplada foi o paclitaxel (Taxol), usado na quimioterapia durante a terapia do câncer de mama e glioma. Os resultados foram promissores, já quem em ambos os casos o método aumentou o número de células cancerosas mortas.

O próximo passo é a realização de testes com entregas repetidas da droga, para verificar se o novo sistema pode estacionar e reverter a situação – diminuindo o tumor. A equipe também deseja estudar melhor a questão da toxicidade e a segurança para ensaios clínicos.

As pesquisas estão sendo conduzidas pelo Laboratório Harth, da Universidade de Vanderbilt, e por Dennis E. Hallahan, professor da Escola de Medicina da Universidade de Washington, com a colaboração de Roberto Diaz da Universidade Emory.

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