Nanomedicina contra o câncer: novos estudos são promissores

Experimentos com nanopartículas "explodem" células doentes ou movem células cancerosas com a ajuda de ímãs.

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05 Fevereiro 2010 | 15h15

Nanomedicina contempla o estudo de partículas em escala nanométrica, capazes de penetrar e atuar em células individualmente.

Nanomedicina contempla o estudo de partículas em escala nanométrica, capazes de penetrar e atuar em células individualmente.

A maior barreira que os médicos encontram na hora de tratar um paciente com câncer é utilizar procedimentos que barrem a proliferação de células cancerígenas sem afetar as células saudáveis do organismo. O ramo da biologia envolvendo os estudos de nanopartículas parece bastante promissor.

Usando lasers e nanopartículas, cientistas da Universidade Rice (Rice University) desenvolveram uma técnica que destrói células doentes com pequenas explosões. Nanopartículas de ouro são inseridas nas células. Por serem brilhantes, podem indicar em microscópios quais estão doentes. O laser controlará o tamanho das nanopartículas: se pequenas, as nanobolhas ajudam a diagnosticar um problema, se grandes, têm o poder de destruir células cancerosas individualmente.

Outro estudo, conduzido por pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Georgia (Georgia Institute of Technology) e do Instituto de Câncer de Ovário (Ovarian Cancer Institute), mostrou um potencial tratamento para o câncer também por meio de nanopartículas magnéticas.

Num primeiro momento, os pesquisadores estão interessados em descobrir uma maneira de impedir a proliferação das células cancerígenas para outros órgãos. A ideia de utilizar nanopartículas magnéticas surgiu em uma pesquisa que procurava uma maneira de expulsar vírus do organismo. Indo além, os cientistas inseriram um marcador (etiqueta) verde fluorescente nas células cancerígenas de ratos e uma coloração vermelha às nanopartículas magnéticas, mostrando que as células cancerosas poderiam ser movidas pelo ímã.

“Muitas vezes, a letalidade do câncer não pode ser atribuída ao tumor original, mas ao estabelecimento de tumores espalhados por células cancerosas provenientes dali”, afirma Ken Scarberry, um dos responsáveis pela pesquisa. “A circulação destas células doentes pode resultar em tumores secundários. Nossa técnica é pensada para filtrar o líquido peritoneal ou sangue, removendo as células cancerosas e aumentando a longevidade – já que impede a propagação da metástase”.

Nanotecnologia

A nanotecnologia é um ramo que pesquisa o organismo ou outras estruturas em escalas nanométricas, ou seja, estuda a forma como partículas de pequenas dimensões atuam sobre sistemas (no caso da nanomedicina, sistemas biológicos). Estas partículas geralmente são um milhão de vezes menores do que um milímetro, com uma incrível capacidade de penetrar a membrana celular – alterando o funcionamento das células. As pesquisas envolvendo o uso de nanopartículas parecem promissores porque permitem a identificação precoce de algumas doenças, além de permitir intervenções em células (e estruturas específicas das células) específicas do corpo.