Nanopartículas podem reforçar tratamento de doenças intestinais

Equipe projeta nanopartículas estáveis que se abrem para liberar pedaços de RNA apenas na presença de espécies reativas de oxigênio.

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11 Outubro 2010 | 12h33

Quando entregues por via oral, as nanopartículas permanecem estáveis nos tecidos não inflamados (superior). No entanto, nos locais de inflamação intestinal, as nanopartículas são degradadas e liberam siRNA.Crédito: Scott Wilson-Georgia Tech.

Quando entregues por via oral, as nanopartículas permanecem estáveis nos tecidos não inflamados (superior). No entanto, nos locais de inflamação intestinal, as nanopartículas são degradadas e liberam siRNA.Crédito: Scott Wilson-Georgia Tech.

Pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Georgia e da Universidade de Emory desenvolveram uma nova abordagem para entregar medicamentos que contenham pequenos pedaços de material genético dentro do corpo. A terapia pode melhorar o tratamento de doenças inflamatórias intestinais.

Embora a entrega de curtos trechos de RNA dentro das células seja hoje uma técnica relativamente conhecida, os pesquisadores têm dificuldade de aplicá-la a células específicas do corpo. Entretanto, a equipe descreveu na Nature Materials que encapsular estes pequenos pedaços de RNA em nanopartículas que podem ser administrada via oral podem ser entregues diretamente aos tecidos inflamados em animais.

De acordo com a equipe, as nanopartículas que projetaram são estáveis, tanto em relação aos ácidos como nas bases, e somente uma ruptura aberta pode liberar os pedaços de RNA na presença de espécies reativas de oxigênio. Isso pode ser encontrado dentro e ao redor do tecido inflamado do trato gastrointestinal de pessoas com doenças inflamatórias intestinais.

Desta maneira, a cápsula com o trecho do RNA tem proteção contra os ambientes hostis do estômago e intestino. Na teoria, as nanopartículas foram formuladas a partir de um novo polímero – poly-(1,4-thioketal dimetilmercúrio phenyleneacteone) (PPADT) – e projetadas para ter um diâmetro de cerca de 600 nanômetros.

Para testar o método, a equipe utilizou um modelo de rato de colite ulcerativa, doença inflamatória do intestino que causa diarreia forte e dor abdominal – podendo inclusive levar a complicações severas e potencialmente fatais. Os pesquisadores administraram as nanopartículas via oral carregadas com siRNA, para inibir uma citocina conhecida como fator de necrose tumoral–alfa (TNF-alfa). Elas “viajaram” diretamente para os dois pontos do rato onde espécies reativas de oxigênio estavam sendo produzidas em excesso, diminuídos os níveis de produção de citocinas.

Amostras demonstram que o tecido do cólon tratado com a terapia apresenta epitélio intacto. Além disso, o trabalho mostrou que as nanopartículas têm propriedades químicas e físicas necessárias para superar os obstáculos de fluidos gastrointestinais, mucosa intestinal e as barreiras celulares.

Mais pesquisas devem ser realizadas, inclusive para determinar a toxicidade destas nanopartículas. Futuramente, elas poderiam se tornar um importante aliado contra doenças como câncer gastrointestinal, doenças inflamatórias e até mesmo infecções virais.

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