Nanotubos de carbono podem ajudar luta do corpo contra o câncer

Técnica potencializa resultados obtidos pela imunoterapia adotiva, promovendo concentração bem maior de células T em menos tempo.

taniager

20 Abril 2010 | 20h04

A imagem do microscópio eletrônico de varredura mostra um feixe de nanotubos de carbono utilizados para aglutinar antígenos e aumentar a produção de células T. Crédito: Fahmy Tarek / Universidade Yale.
A imagem do microscópio eletrônico de varredura mostra um feixe de nanotubos de carbono utilizados para aglutinar antígenos e aumentar a produção de células T. Crédito: Fahmy Tarek / Universidade Yale.

A nanotecnologia tem dado o que falar em diversas áreas do conhecimento. Agora, promete uma abordagem interessante na medicina, permitindo que a sua utilização ajude organismos mais frágeis. É que engenheiros da Universidade de Yale, nos EUA, descobriram que defeitos em nanotubos de carbono (moléculas cilíndricas que são usadas para diferentes fins, inclusive a tecnologia ótica), podem estimular a resposta imunitária do corpo, provocando a aglomeração de células T – consideradas verdadeiros soldados do sistema imunológico humano – no sangue. Entre os benefícios prometidos pela descoberta estão tratamentos mais potentes contra o câncer.

A chamada imunoterapia adotiva envolve a retirada de sangue de um paciente para que a produção de células T (um tipo de glóbulo branco) seja estimulada. Quando a produção é aumentada, usando diferentes substâncias que estimulam seus antígenos em altas concentrações, o sangue é injetado novamente na corrente sanguínea. Desta maneira, o organismo é capaz de oferecer uma resposta imunológica maior a um tumor.

Embora a equipe já tivesse relatado o efeito inesperado que os nanotubos de carbono têm sobre a produção de células T de forma bem mais eficaz do que um revestimento com outros substratos – como o poliestireno nos antígenos -, o estudo em questão demonstra o que está por trás deste estímulo: pequenos defeitos nos nanotubos de carbono. “Um feixe de nanotubos de carbono se assemelha a um microambiente do nódulo linfático, que tem uma espécie de labirinto geométrico”, disse Tarek Fahmy, professor de engenharia química e biomédica na Universidade de Yale e autor sênior do artigo publicado na Langmuir. “Os feixes de nanotubos parecem imitar a fisiologia e absorver mais antígenos, promovendo uma maior resposta imunológica.”

Enquanto a imunoterapia adoptiva usada atualmente leva semanas para produzir células T suficientes, a nova técnica mostrou em testes de laboratório ser capaz de produzir a mesma concentração de glóbulos brancos em apenas um terço do tempo. E, por usar sangue extraído do próprio pacientes, não causa problemas como embolisas.

O próximo passo é trabalhar em uma maneira eficaz de remover os nanotubos de carbono do sangue antes que ele seja devolvido ao paciente. “Nós acreditamos que esta é uma utilidade muito interessante para os nanotubos de carbono. É uma forma de explorar as propriedades únicas deste material em aplicação biológica com segurança”.

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