Componentes de blocos de construção da vida são criados no espaço

A química dentro de cometas e asteroides é capaz de construir blocos de moléculas biológicas essenciais, os aminoácidos.

taniager

09 Agosto 2011 | 15h27

Meteoritos contêm uma grande variedade de nucleobases, um bloco de construção essencial de DNA.  Crédito: NASA's Goddard Space Flight Center/Chris Smith.

Meteoritos contêm uma grande variedade de nucleobases, um bloco de construção essencial de DNA. Crédito: NASA's Goddard Space Flight Center/Chris Smith.

Componentes de DNA são encontrados em meteoritos desde 1960, mas responder à questão sobre onde este material é formado tem sido um quebra cabeças para os cientistas. Agora, pesquisadores da NASA conseguiram identificar a origem de algumas destas moléculas que carregam as instruções genéticas da vida. Assim, a teoria de que “pacotes” de partes do bloco de DNA são criados no espaço, e transportados até a Terra por meteoritos e cometas, pode ser fundamentada. O artigo, publicado recentemente no site da Proceedings of the National Academy of Sciences dos Estados Unidos, descreve as descobertas da equipe de pesquisa do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA.

Segundo matéria publicada no site da NASA, a química dentro de cometas e asteroides é capaz de construir blocos de moléculas biológicas essenciais, os aminoácidos. Estes últimos formam desde as proteínas utilizadas em estruturas orgânicas como o cabelo, por exemplo, até enzimas que funcionam como catalisadores para aumentar ou regular a velocidade de reações químicas no organismo vivo.

Os pesquisadores do Goddard analisaram amostras de 12 meteoritos de carbono coletados na Antártida com um espectrômetro de massa que ajuda a determinar a estrutura química de compostos. Puderam então encontrar as nucleobases adenina e guanina, componentes que formam os degraus da escada de DNA e que fazem parte do código de instrução para a produção de proteínas pela máquina celular. Além das duas nucleobases, os cientistas observaram a presença de hipoxantina e xantina que são usadas em outros processos biológicos, mas não fazem parte do DNA.

Em dois dos meteoritos analisados, a equipe descobriu algumas quantidades de três moléculas relacionadas às nucleobases: purina; 2,6-diaminopurina; e 6,8-diaminopurina. Somente a primeira é usada em biologia. Estes compostos têm as mesmas moléculas nucleicas das nucleobases, mas com uma estrutura adicional ou removida. São justamente estas duas moléculas não utilizadas na biologia que forneceram a primeira peça da evidência de que os compostos encontrados nos meteoritos são criados no espaço e não são contaminações terrestres.

A segunda peça da evidência foi encontrada em amostra de oito quilogramas de gelo da Antártida retirada do mesmo local onde foram encontrados os meteoritos. Em comparação com as quantidades das duas nucleobases, da hipoxantina e da xantina observadas nos meteoritos do estudo, as quantidades na amostra de gelo eram bem menores. O mais significativo foi não ser encontrada nenhuma molécula análoga à nucleobase.

A terceira peça da evidência está na reação completamente não biológica para produzir nucleobases biológicas e não biológicas. Segundo Dr. Michael Callahan, um dos pesquisadores da equipe, um conjunto idêntico de nucleobases e análogos de nucleobases já foram gerados em reações químicas não biológicas contendo cianeto de hidrogênio, amônia e água, em laboratório. Estas criações fornecem um respaldo plausível para suas sínteses em corpos de asteroides genitores, além de oferecer apoio à suposição de que sejam materiais extraterrestres.

“Na verdade, parece haver uma classe de meteoritos ‘Cachinhos Dourados’, os chamados meteoritos CM2, onde as condições são ideais para fabricar mais destas moléculas,” adiciona Callahan.