Nascem bebês de estudo piloto de avaliação genética a partir do embrião

Os primeiros bebês envolvidos em um estudo piloto de avaliação genética a partir do embrião nasceram na Itália e Alemanha.

root

15 Outubro 2010 | 12h36

Os primeiros bebês envolvidos em um estudo piloto de avaliação genética a partir do embrião  nasceram na Itália e Alemanha. As crianças são as primeiras do mundo a serem controladas por testes abrangentes de seleção genética – incluindo o rastreio de ovócitos para uma gama completa de desordens cromossômicas – antes da fertilização in vitro e nascimento.

O nascimento é a última fase da “prova do princípio” de que a triagem dos ovócitos e embriões antes da transferência de fertilização in vitro pode aumentar as taxas de sucesso no procedimento. Ambas as gestações (de gêmeas, na Alemanha e de um menino na Itália) foram realizadas a partir de oócitos cujo status cromossômico completo tinha sido avaliado por técnica de microarray – hibridização genômica comparativa.

“Aprendemos com mais de 30 anos de fertilização in vitro que muitos dos embriões transferidos têm anomalias cromossômicas”, explica o presidente da European Society of Human Reproduction and Embryology, Luca Gianaroli. “Na verdade, é ainda o caso de dois em cada três embriões que falham ao serem implantados, muito em função dessas anormalidades”.

De acordo com a equipe, pesquisadores do mundo todo tentam encontrar uma maneira eficaz de rastrear as alterações antes que o embrião seja implantado no útero da mulher, mas as tecnologias até então disponíveis dificultavam o trabalho. Agora, com a nova técnica de array, eles acreditam que finalmente possam proporcionar um meio confiável de avaliar o estado cromossômico dos embriões que estão sendo transferidos.

A hibridização genômica comparativa apresenta algumas vantagens sobre os métodos anteriores: ele testa todos os 23 pares de cromossomos de uma célula; a célula de teste – conhecida como corpo polar – é retirada de um óvulo durante a fertilização, não precisando de biópsia de uma célula de um embrião em desenvolvimento; pode entregar resultados completos em tempo real, descartando o congelamento antes da transferência.

Em curto prazo, pacientes de fertilização in vitro que podem ser beneficiados com a técnica são as mulheres com uma idade mais avançada para a gravidez, que tentaram anteriormente a fertilização in vitro sem sucesso ou que têm um histórico de abortos. Estas mulheres apresentam uma taxa maior de anomalias cromossômicas embrionárias do que a média.

“O estudo já despertou enorme interesse na comunidade científica e clínica”, diz Cristina Magli, embriologista do Centro SISMER em Bolonha – um dos que participaram do trabalho. “Estamos muito orgulhosos de anunciar os resultados. É a primeira vez que uma sociedade científica como o ESHRE organizou um estudo para determinar o quadro clínico de uma técnica que pode ser uma revolução na fertilização in vitro”.

Veja também:

Criador da técnica de fertilização in vitro recebe o Nobel da Medicina
Ovário artificial pode nutrir folículos precoces até a maturidade plena
Transplante de ovário restaura fertilidade e prolonga vida de fêmeas de camundongos
Variação genética torna algumas mulheres menos férteis
Técnica permite seleção dos melhores espermatozoides para fertilização
Embrião é criado com material genético de um homem e duas mulheres