Neurocientistas mapeiam regiões do cérebro que "determinam" inteligência

Inteligência geral de um indivíduo depende da capacidade de integrar vários tipos de processamento, conectando determinadas regiões dos dois lados do cérebro.

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23 Fevereiro 2010 | 19h16

Pesquisa respalda teoria de que a inteligência geral depende da capacidade do cérebro de integrar vários tipos de processamento.

Pesquisa respalda teoria de que a inteligência geral depende da capacidade do cérebro de integrar vários tipos de processamento.

Neurocientistas do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), da Universidade de Iowa, University of Southern California (USC) e Universidade Autônoma de Madri, mapearam as estruturas do cérebro que afetam a inteligência. O estudo abre novas portas no entendimento do que é, realmente, a inteligência, e de como é possível medir as habilidade cognitivas em um indivíduo.

A equipe analisou um conjunto único de dados de 241 pacientes com diagnósticos de lesão cerebral e que tinham sido submetidos a testes de QI (quociente de inteligência). Os pesquisadores associaram o lugar lesionado a pontuações nos exames de quociente de inteligência para produzir uma mapa das regiões do cérebro que influenciam a inteligência.

“A inteligência geral, muitas vezes chamada como fator g de Spearman, foi um conceito altamente controverso”, ressalta o pesquisador Ralph Adolphs, da Caltech. “Mas a ideia básica subjacente é incontestável: em geral, pontuações de diferentes tipos de testes são correlacionadas. Algumas pessoas simplesmente conseguem pontuações elevadas e outras têm pontuações baixas. Por isso, é algo óbvio se perguntar se essa capacidade geral pode depender de regiões específicas do cérebro”.

Os pesquisadores verificaram que a inteligência geral é determinada por uma rede de regiões em ambos os lados do cérebro – e não em uma única estrutura. “Uma das principais conclusões que realmente surpreendeu foi a de que havia uma estrutura espalhada”, aponta Jan Gläscher, autor do artigo publicado na edição de 22 de fevereiro do Proceedings of the National Academy of Sciences.

“Poderíamos dizer que a inteligência não depende de áreas específicas do cérebro como um todo, e que dependeria do funcionamento total do cérebro”, pontua Adolphs. “Mas não foi isso que encontramos. De fato, há um alinhamento entre estas determinadas regiões do cérebro e suas ligações com uma teoria existente sobre a inteligência, chamada de teoria de integração parieto-frontal. Segundo esta teoria, a inteligência geral depende da capacidade do cérebro de integrar vários tipos de processamento”.

A inteligência na Teoria g de Spearman

O fator g é o fator principal que explica mais da metade da inteligência total de um indivíduo. A teoria, proposta por Charles Spearman em 1904, tem o respaldo de mais de 1500 experimentos realizados nos últimos cem anos. Se para cada habilidade um homem necessita de um fator específico, chamado de “e”, para todas as capacidades cognitivas há um fator “g”, sempre presente – independente da tarefa a ser compreendida pela mente.

O quociente de inteligência (QI) é uma medida para avaliar as capacidades cognitivas, portanto “de inteligência”, de uma pessoa. Apesar de não haver consenso sobre o que é, de fato, a inteligência, e se estes testes de fato conseguem medir todas as habilidades mentais de uma pessoa de acordo com o ambiente em que ela está inserida, é possível correlacionar aptidões acadêmicas e produção intelectual.

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