Níveis "toleráveis" de poluentes no ar podem causar partos prematuros

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19 Janeiro 2010 | 16h27

Poluição afeta fetos mesmo dentro dos níveis tolerados pela Conama.

Poluição afeta fetos mesmo dentro dos níveis tolerados pela Conama.

Olhou para o relógio e viu que as condições do ar estão boas? Cuidado, pelo menos se você estiver grávida. Uma pesquisa realizada pelo engenheiro Marcelo Moreno dos Reis pelo doutorado defendido na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) mostra que mesmo níveis de poluição de ar tolerados pela legislação influenciam negativamente, contribuindo para casos de baixo peso ao nascer e ocorrência de prematuros.

O pesquisador analisou todos os nascidos vivos na cidade de Volta Redonda (RJ) entre 2003 e 2006, comparando com os índices diários da qualidade do ar. Então deu atenção a mais de 13 mil nascimentos ocorridos com estimativas da exposição de cada mãe à poluição nas 36 semanas anteriores ao parto.

No período analisado, 9,1% dos casos foram de baixo peso ao nascer e 7,4% de nascimentos de prematuros. Ozônio (O3) e partículas inaláveis (PM10) influenciaram o baixo peso. O dióxido de enxofre (SO2) foi o grande vilão da prematuridade. Apesar de mostrar os efeitos dos poluentes nas grávidas e recém-nascidos, em nenhum momento as médias de emissões diárias em Volta Redonda ultrapassaram os limites estabelecidos pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), o que sugere que uma revisão dos padrões é necessária.