No coração de mãe, sempre cabe mais um: esquilos vermelhos adotam órfãos

Episódios de adoção são raros e, quando acontecem, são apenas entre membros de uma mesma família, apontando vantagem evolutiva.

root

01 Junho 2010 | 15h27

Esquilo vermelho de apenas duas semanas de idade. Crédito: Wikipedia.

Esquilo vermelho de apenas duas semanas de idade. Crédito: Wikipedia.

Esquilos vermelhos são graciosos, mas não muito altruístas, revelando-se muitas vezes bastante agressivos na hora de brigar por uma sementinha. Mas, agora, um estudo conduzido na Universidade de Alberta e McGill, no Canadá, tenta fazer justiça ao mostrar que no coração de esquilo mãe às vezes cabe mais um: adoções de filhotes órfãos acontecem.

Sim, você já deve ter visto no YouTube vídeos incríveis de animais que deixam de lado a comida para proteger um animal indefeso de outra espécie. Contudo, a revelação em questão é importante porque ocorre em uma espécie antissocial, ou seja, em animais que não vivem em grupos familiares.

“Animais sociais, incluindo leões e chipanzés, são muitas vezes cercados por familiares, por isso não é surpreendente que uma fêmea adote um membro da família órfão, já que passou muito tempo junto”, diz Andrew McAdam, biólogo evolucionário. “Mas os esquilos vermelhos vivem em completo isolamento, e são muito territoriais. A única vez que eles aceitam outro esquilo no seu território é um dia ao ano, quando as fêmeas estão prontas para acasalar ou quando estão amamentado filhotes”.

Nem tudo é perfeito, é preciso ressaltar: a adoção só acontece quando o órfão é da mesma família e, mesmo assim, é uma ocorrência rara. Duas décadas de estudo constataram apenas cinco casos de adoção. Em todos os casos, os filhotes eram sobrinhos, sobrinhas, irmãos ou netos da mãe adotiva.

“De uma perspectiva evolucionária, o fenômeno da adoção levanta a questão de por que um animal pode adotar se põe em perigo a sobrevivência de seus próprios filhotes”, explica McAdam. “Sob as condições corretas, um animal pode propagar mais cópias de seus genes ajudando relativos a aumentarem suas proles do que produzindo sua própria prole”, explica o pesquisador. Ou seja: em certas situações, a adoção é biologicamente vantajosa.

De acordo com McAdam, os esquilos só adotam um filhote órfão quando os custos da adoção são baixos e ele possui uma grande parte dos mesmos genes. Mas, a próxima pergunta é: como eles sabem que os pequeninos são da mesma família? Os pesquisadores afirmam que eles possuem uma linguagem própria que os permite diferenciar parentes e “estranhos”.

Veja também:

Tudo pela fama? Chipanzés imitam indivíduos mais populares do grupo
Bizarras e engraçadinhas: as dez espécies mais interessantes de 2009
Elefantes têm sinal específico para alertar sobre presença de abelhas
Macacos bonobos vivem juventude eterna e compartilham tudo
Comportamento dos macacos é menos racional do que se pensava
Abelhas preferem flores com néctar que possui nicotina e cafeína