Noradrenalina pode reduzir déficits na capacidade motora fina após AVC

O acidente vascular cerebral, conhecido como derrame, pode causar lesões em regiões do cérebro relacionados à função motora e fala.

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10 Março 2011 | 16h29

O acidente vascular cerebral, conhecido como derrame, pode causar lesões em regiões do cérebro relacionados à função motora e fala.

O acidente vascular cerebral, conhecido como derrame, pode causar lesões em regiões do cérebro relacionados à função motora e fala.

Boas novas para quem sofreu derrame: um neurotransmissor pode melhorar a reabilitação pós-AVC. De acordo com cientistas do Instituto Max Planck, a noradrenalina é capaz de reduzir os déficits na capacidade motora fina de quem teve um acidente vascular cerebral. A descoberta pode resultar no desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas para a reabilitação destes pacientes.

Para chegar a estas conclusões, os pesquisadores estudaram 11 pacientes que sofreram AVC entre 42 e 74 anos de idade. Todos tinham comprometimento da capacidade motora fina ao realizar tarefas que requeriam potências determinadas e movimentos pontuais.

A equipe então modificou o tempo de permanência do neurotransmissor noradrenalina pela administração de reboxetina (RBX) nestes pacientes. A substância é conhecida por diminuir a recaptação do transmissor por neurônios, de forma a estender o efeito estimulante sobre a rede do córtex motor. Um grupo de controle recebeu placebo.

No nível comportamental, o tempo de permanência prolongada da noradrenalina melhorou o desempenho dos pacientes em testes motores simples. Ressonâncias magnéticas mostraram que as melhorias no desempenho motor estavam associadas a nível cortical com a normalização da atividade cerebral especialmente em áreas danificadas.

“As descobertas do nosso estudo poderiam fornecer um ponto de partida para o desenvolvimento de uma nova abordagem terapêutica promissora, para a correção de defeitos em redes cerebrais e melhoria das funções motoras das mãos após um acidente vascular cerebral”, comemora Christian Grefkes, que liderou o trabalho. O plano agora é testar a reboxetina em um grupo maior de pacientes ao longo de várias semanas para avaliar melhor os efeitos.