Nova classe de objetos codificada no genoma lança luz sobre câncer

Mesmo com os avanços na decodificação do genoma, estima-se que a maior parte do nosso DNA ainda é território desconhecido.

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06 Outubro 2010 | 15h10

Mesmo diante dos avanços na decodificação do genoma, cientistas estimam que a maior parte do nosso DNA ainda represente território desconhecido. Agora, pesquisadores do Instituto Wistar lançam nova luz sobre o que a genética ainda não compreende bem: descobriram que longos RNAs não-codificantes (ncRNA) promovem a expressão gênica. A equipe acredita que estas moléculas possam representar regiões do gene chamadas de realçadores de elementos de curta duração do DNA, podendo aumentar a transcrição dos genes.

Os resultados se juntam a um crescente corpo de evidências de que o “dogma central” da genética clássica está incompleto. Pela ideia vigente, DNA cromossomal é transcrito no RNA, que então é traduzido pelas células em proteínas. Nos últimos anos, porém, cientistas descobriram que nem todas as moléculas transcritas do RNA se traduzem em proteínas. Na verdade, pesquisas demonstram que setores inteiros do genoma são transcritos por razões desconhecidas.

No estudo em questão, os pesquisadores identificaram 3 mil ncRNAs e estimam que pode haver entre 10 e 20 mil ncRNAs na sequência do nosso DNA. Este número é comparável aos 20 mil genes conhecidos em relação a proteínas que “fabricam”. A maioria dos ncRNAs é codificada no DNA perto de genes conhecidos por serem importantes para células-tronco e células do câncer. A constatação sugere que a segmentação dos mesmo pode levar a novas estratégias para retardar a evolução da doença.

“Estamos muito animados, em primeiro lugar, porque esta é uma descoberta sobre a própria natureza do DNA humano, uma nova classe de objeto genético e uma nova camada de regulação genética”, explica Ramim Shiekhattar, autor sênior do estudo. “Em segundo lugar, podemos ter resolvido em partes um grande mistério da genética moderna: estas longas sequências não-codificantes do RNA podem ser responsáveis pela atividade de elementos realçadores, que foram bem estudados, mas nunca completamente caracterizados”.