Pesquisadores identificam novo ancestral direto do Homo erectus

O crânio de um hominídeo foi identificado recentemente como ancestral direto do gênero "Homo", ao qual os seres humanos pertencem.

taniager

08 Abril 2010 | 16h53

O Prof. Lee Berger da Universidade de Witiwartersrand de Johannesburg, África do Sul, segura o crânio do hominídeo, encontrado por sua equipe e identificado pelo Dr. Darryl J. de Ruiter, da Universidade do Texas A&M. Crédito: Universidade de Witwatersrand, Johannesburg

O Prof. Lee Berger da Universidade de Witiwartersrand de Johannesburg, África do Sul, segura o crânio do hominídeo, encontrado por sua equipe e identificado pelo Dr. Darryl J. de Ruiter, da Universidade do Texas A&M. Crédito: Universidade de Witwatersrand, Johannesburg

O crânio de um hominídeo que teria vivido há 1,8 milhão de anos, encontrado por uma equipe de paleontólogos liderados pelo Prof. Lee Berger da Universidade de Witiwartersrand de Johannesburg em um sítio arqueológico na África do Sul em 2008, foi identificado recentemente como ancestral direto do gênero Homo erectus, ao qual os seres humanos pertencem. 

O especialista crânio-dental no projeto Dr. Darryl J. de Ruiter, da Universidade Texas A&M, EUA, ajudou a determinar o gênero e a idade do exemplar.

Até então, o Australopithecus era o ancestral mais próximo do Homo já encontrado.  

O nome do gênero Australopithecus é traduzido como “macaco do sul” e suas espécies são largamente denominadas de “homens macacos”, porque eles tanto podiam se movimentar entre as árvores como podiam andar sobre as duas pernas, como os humanos, quando estavam no solo.

Ruiter acredita que os dois esqueletos encontrados e analisados são os melhores representantes do ancestral direto do Homo, que viveu entre 1,78 e 1,95 milhão de anos. Pela análise dos crânios, das mandíbulas e dos dentes – notavelmente completos e extremamente preservados – ele supõe serem ossos de uma fêmea e de um macho jovem. Os crânios são parecidos com os dos humanos, mas menores, e seus dentes são semelhantes aos dos seres humanos.

Os esqueletos são conformados como nos representantes do ancestral do Homo. Eles são relativamente pequenos, como nos australopitecos. Por outro lado, os dentes da nova espécie são pequenos, como em humanos, mas com forma dos dentes dos australopitecos. “O que temos aqui é claramente uma forma de transição”, afirmou Ruiter.

O Prof Berger acrescenta que a nova espécie tem braços longos, como em um macaco,  mãos curtas e fortes, pélvis muito avançada (osso do quadril), pernas longas capazes de passos largos e que, provavelmente, funcionavam como em um ser humano. Pelo tamanho dos esqueletos supõe-se que tinham aproximadamente 1,27 metros, embora o macho jovem pudesse estar em fase de crescimento. A fêmea provavelmente pesava 33 quilos e o jovem 27 quilos no momento das suas mortes. O tamanho do cérebro do jovem foi estimado dentro da faixa de 420 a 450 centímetros cúbicos, que é pequeno (quando comparado ao cérebro humano de cerca de 1200-1600 centímetros cúbicos), mas a forma do cérebro parece ser mais evoluída do que a do Australopithecus.

Apenas outros três esqueletos desta grande antiguidade na África aproximaram-se deste nível de perfeição, acrescentou Ruiter: a “Lucy” de 2,9 milhões de anos encontrada na Etiópia, os “Little Foot” de 2,2 milhões de anos encontrados em outros países do Sul África e os “Nariokotome Boy” de 1,6 milhão de anos no Quênia. No entanto, este novo sítio é exclusivo por revelar vários esqueletos individuais que podem ser diretamente associados entre si.

Ruiter pretende voltar ao sítio arqueológico e continuar a busca por mais ossadas. Enquanto isso, ele planejada uma competição entre alunos de escolas infantis sulafricanas para apelidar os dois esqueletos.