Nova estratégia induz resposta apropriada do corpo contra câncer

Pesquisadores inibiram o processo de degração do RNA em células cancerosas para reforçar papel do sistema imunológico contra ameça.

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18 Maio 2010 | 10h22

Células do sistema imunológico combatendo câncer. Crédito: Dr. Raowf Guirguis. National Cancer Institute.

Células do sistema imunológico combatendo câncer. Crédito: Dr. Raowf Guirguis. National Cancer Institute.

Acontece no decorrer da vida de algumas células não se dividirem apropriadamente. Um organismo saudável reconhece o erro e aciona “soldados” do sistema imunológico para acabar com o mal pela “raiz”. Em alguns indivíduos, porém, a vigilância imunológica pode estar comprometida, permitindo que tumores se desenvolvam.

Com o desafio de devolver a estas pessoas a capacidade de lutar contra ameaças, pesquisadores da Universidade de Miami, nos EUA, desenvolveram um novo método para induzir a expressão de antígenos (proteínas do sistema imunológico) na superfície de células cancerosas – estimulando a resposta imune apropriada.  

Patógenos, os invasores conhecidos como bactérias e vírus, provocam uma resposta imune tão logo nosso organismo reconheça sua presença. Células do câncer, no entanto, assemelham-se muito com as células normais do corpo, dificultando o trabalho de reconhecimento da ameaça. Mas, agora, o estudo publicado na Nature mostra que há uma forma de forçar células tumorais a expressarem antígenos novos em sua superfície – provocando uma resposta bem mais forte do organismo.

A informação no DNA é repassada ao RNA para que isso possa ser traduzido em uma proteína. Durante a síntese de RNA ocorre um processo que barra transcrições defeituosas. Se o problema persiste, o RNA é corrompido, e a proteína – essencial para diversas funções do nosso corpo – não é produzida. Mas, em alguns casos, o erro é passado adiante: a proteína é criada, mas como uma verdadeira aberração (que provavelmente não passará despercebida pelo sistema imunológico).

Partindo desta ideia, os pesquisadores concentraram suas atenções em uma maneira de inibir o processo de degradação do RNA em células cancerosas. Tiveram como alvo proteínas específicas presentes na superfície de tumores, como o PSMA no câncer de próstata. Células tumorais foram atacadas; células normais foram poupadas pelo organismo. Experiências com roedores mostram que a estratégia foi capaz de eliminar tumores.

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