Nova hipótese é formulada para explicar mistérios profundos da Terra

Cientistas acreditam que alguns elementos leves ficaram presos dentro do planeta, em uma parte mais profunda do manto, quando a Terra era jovem.

taniager

18 Fevereiro 2010 | 18h25

Durante um período de intensa atividade vulcânica, a lava arrastava elementos leves do interior derretido do planeta e os lançava para o céu. Também, a subida de materiais menos densos e derretidos formou a crosta terrestre. Uma equipe de cientistas sugere que o material fundido pode afundar em vez de tomar literalmente o caminho que o conhecimento convencional admite.

Durante um período de intensa atividade vulcânica, a lava arrastava elementos leves do interior derretido do planeta e os lançava para o céu. Materiais menos densos e derretidos subiam e formavam a crosta terrestre.

O que levou a Terra a dar seu último suspiro?

Em resposta a este mistério, uma equipe de pesquisadores das Universidades de Rice, de Michigan e da Califórnia-Berkeley apresentou uma nova hipótese que contraria a convencional, em edição desta semana da revista Nature.

Quando a Terra era jovem, vulcões em erupção espalhavam elementos leves na atmosfera. Durante o período de intensa atividade vulcânica, a lava arrastava estes elementos do interior derretido do planeta e os lançava para o céu. No entanto, os cientistas acreditam que alguns elementos leves ficaram presos dentro do planeta, em uma parte mais profunda do manto. O argumento tem base na observação de que tais elementos, como o argônio e o hélio, estão esgotados no manto superior terrestre.

Os pesquisadores têm se esforçado para explicar por que alguns gases são retidos, enquanto outros sobem e escapam para a atmosfera. A opinião dominante é a de que o manto mais baixo foi em grande parte isolado do manto superior e, portanto, mantém a sua composição original.

O novo estudo sugere que um determinado conjunto de condições geofísicas que existiram cerca de 3,5 bilhões de anos atrás – quando o interior da Terra era muito mais quente – levou à formação de uma “armadilha compacta” de cerca de 400 quilômetros abaixo da superfície do planeta. Na armadilha, uma combinação precisa de calor e pressão originou uma raridade geofísica: uma área onde os líquidos eram mais densos do que os sólidos.

Hoje, os líquidos gerados no manto são menos densos do que os sólidos e, portanto, sobem à superfície para formar os vulcões. No entanto, vários bilhões de anos atrás, uma manta mais quente permitiu uma profunda fusão e gerou líquidos densos que estagnaram, cristalizaram e finalmente afundaram no fundo do manto.

Cin-Ty Lee, professor associado de ciências da Terra na Universidade de Rice, explica que quando algo derrete, é esperado que o gás saia. E se ele não sai é porque os elementos podem estar presos em um reservatório original onde nunca foram derretidos. Mas pensar assim vai contra a evidência que sugere que todo o manto foi derretido pelo menos uma vez. Por esta razão, a equipe acredita na existência de algum mecanismo onde as coisas poderiam ser derretidas sem deixar o gás escapar.

A subida de materiais menos densos e derretidos formou a crosta terrestre. Lee sugere que o material fundido pode afundar em vez de tomar literalmente o caminho que o conhecimento convencional admite. Além disso, o modelo inverso ao modelo convencional pode explicar várias esquisitices geoquímicas e geofísicas, como a dos gases presos, tornando a hipótese plausível.

Existem atualmente métodos sísmicos que podem ser usados para testar a nova ideia, acrescenta Lee. E mesmo que os testes apontem a hipótese como falsa, eles já seriam úteis para gerar muitas informações novas.