Técnica permite avaliar eficácia de tratamentos para síndrome do x-frágil

Nova técnica com ressonância magnética de alta resolução fornece imagens detalhadas do cérebro e dá novas pistas sobre a disfunção.

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05 Maio 2010 | 13h32

Certas regiões do cérebro, representadas em verde, têm o volume de matéria cinzenta bem maior do que em crianças do grupo de controle. Crédito: Cortesia de Fumiko Hoeft/Stanford School of Medicine.

Certas regiões do cérebro, representadas em verde, têm o volume de matéria cinzenta bem maior do que em crianças do grupo de controle. Crédito: Cortesia de Fumiko Hoeft/Stanford School of Medicine.

Um novo exame elaborado por pesquisadores da Universidade Stanford, nos EUA, pode fornecer mais pistas sobre o desenvolvimento em pacientes com a síndrome do x-frágil. A técnica pode ajudar médicos a monitorarem as transformações ocorridas no cérebro dos pacientes e avaliar a eficácia de alguns tratamentos.

Os pesquisadores usaram ressonância magnética de alta resolução para obter imagens detalhadas do cérebro de meninos entre um e três anos de idade. Depois de um ano, repetiram o procedimento, fazendo uma análise detalhada dos exames de 41 garotos com a síndrome do x-frágil e o grupo de controle (sem o problema).

Muitas características anatômicas do cérebro eram similares, mas meninos com a síndrome do x-frágil mostraram superabundância de massa cinzenta em regiões do caudado e tálamo, e uma presença diminuída em uma região do cerebelo chamada vermis. Isso sugere que a síndrome do x-frágil pode afetar o desenvolvimento do órgão até antes do nascimento.

Contudo, o prosencéfalo basal, bem como uma parte diferente do tálamo e muitas regiões do córtex cerebral, ficou diferente das regiões cerebrais vistas no grupos de controle na segunda bateria de exames, mostrando que as transformações também ocorrem ao longo dos anos.

A síndrome do x-frágil e o autismo

Provocada por uma mutação em um gene localizado no cromossomo X, a síndrome do x-frágil afeta aproximadamente uma em cada quatro mil pessoas – indivíduos do sexo masculino, geralmente.

Embora contabilize entre 2 e 3% de todos os casos de autismo, não necessariamente leva ao quadro, já que diversos genes estão associados ao autismo e a condição surge de um conjunto de fatores (por este motivo o nome “distúrbio de espectro autista). Sabe-se, no entanto, que pacientes com a síndrome do x-frágil manifestam desconfortos de visão, hipersensibilidade ao som e ao toque, anormalidades na linguagem e movimentos e defasagem de desenvolvimento.

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