Nova tecnologia dá a celulares o poder de transformar linguagem de sinais em texto

Nova tecnologia dá a celulares o poder de transformar linguagem de sinais em texto

Da redação

12 Março 2012 | 23h55

Uma equipe da Universidade de Aberdeen, na Escócia, está desenvolvendo um software que traduz a linguagem de sinais – utilizada por pessoas surdas – em texto. A nova tecnologia é a primeira do tipo que poderia ser usada em portáteis, como smarthphones, permitindo ao usuário customizar a ferramenta de acordo com suas necessidades. Combinada com outros sistemas, poderia fazer com que o texto fosse transformado em formato de áudio para o ouvinte (algo que já foi desenvolvido inclusive por brasileiros, conforme antecipou Nayara Fraga no Radar Tecnológico).

‘O objetivo da tecnologia – conhecida como Portable Sign Language Translator (PSTL) – é dar poder às pessoas que usam a linguagem de sinais ao permitir superar os desafios de comunicação que eles experimentam com aparelhos portáteis’, explica Ernesto Compatangelo, responsável pela novidade.

Funciona da seguinte maneira: uma câmera integrada ao smartphone, tablet ou laptop capta os movimentos das mãos realizados pelos usuários e imediatamente transforma o que ‘viu’ em texto, que pode ser lido por outra pessoa. O mais interessante é que o sistema permite que o dono do dispositivo associe um termo a um comando específico, de forma que o seu vocabulário seja personalizado para melhor expressar um conceito não abarcado por algumas linguagem de sinais.

Só vídeo – Em 2009, pesquisadores da Universidade de Cornell, nos EUA, apresentaram o protótipo de um sistema capaz de tornar o diálogo por meio de celulares entre pessoas que usam a linguagem de sinais realidade. Uma das principais barreiras enfrentadas até então era fazer com que vídeos pudessem ser enviados rapidamente. Ao criar um software para comprimir vídeos, os pesquisadores chegaram a um resultado bastante satisfatório para a época: a capacidade de enviar 10 frames por segundo – o que se enquadraria bem aos padrões 2G vigentes.

A tecnologia foi explorada também pela Universidade de Rochester e, em 2011, incorporada em televisões, celulares e outros dispositivos eletrônicos pela empresa Sorenson Communications. Ao longo dos anos, investimentos na área permitiram que empresas como a Apple e Blackberry tornassem seus portáteis muito mais acessíveis para pessoas com deficiência auditiva. Entretanto, embora a disponibilidade de chats em vídeo tenha melhorado significativamente, nenhum celular consegue atualmente atender aos seguintes requisitos ao mesmo tempo:

–        Compatibilidade com aparelhos auditivos
–        Controle de volume ou amplificação adicional
–        Design compatível com a deficiência auditiva (no caso específico do ‘leitor de linguagem de sinais’, as mãos devem ficar livres)
–        Sistema elaborado para envio de texto
–        Alertas vibratórios diferenciados
–        Recursos para reduzir a interferência de luminosidade ou vibração no ambiente
–        Dispositivos auxiliares para melhorar o desempenho, como osciladores controlados por tensão

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