Nova terapia contra o câncer pode atuar como anti-inflamatório

Inibidores Hsp90 podem servir como tratamento adicional em pacientes com casos de inflamações crônicas e doenças cardiovasculares.

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30 Março 2010 | 13h55

John Catravas diz que próximo passo é estudar atuação dos inibidores Hsp90 em casos de diabetes 2 e obesidade. Crédito: MCG.

John Catravas diz que próximo passo é estudar atuação dos inibidores Hsp90 em casos de diabetes 2 e obesidade. Crédito: MCG.

Medicamentos novos usados para combater o câncer podem ajudar pessoas com doenças cardiovasculares, de acordo com pesquisadores da Faculdade de Medicina da Geórgia, EUA. Os inibidores Hsp 90 (do inglês heat shock protein 90 inhibitors) podem servir como tratamento adicional para atuar como anti-inflamatórios em casos de inflamações crônicas, em que drogas existentes atualmente são contra-indicadas por causarem muitos efeitos colaterais. A esperança é de que esses inibidores possam proporcionar uma toxicidade menor, uma abordagem mais ampla e o início de um novo campo de estudo.

Inflamações rápidas podem ajudar a combater infecções, mas se tornam problemáticas quando são crônicas ou graves. Se a inflamação aguda provoca a contração de células endoteliais (que revestem as paredes dos vasos sanguíneos), por exemplo, o sangue e o fluído podem vazar para o tecido. Essa situação é particularmente perigosa nos pulmões, causando a síndrome do desconforto respiratório agudo.

Metade dos pacientes com esse problema morre porque as células endoteliais são danificadas. Mas inibidores Hsp90 parecem bloquear a contração celular, impedindo edemas. Os resultados foram obtidos em experiências com ratos.


Os pesquisadores pretendem também estudar o potencial da droga em pacientes com diabetes tipo 2 e obesidade. As complicações acontecem quando a inflamação crônica provoca a proliferação de células da musculatura lisa dentro das paredes dos vasos sanguíneos, levando tecidos lisos e flexíveis a se tornarem grossos e duros. “Nossa hipótese é que o tratamento com inibidores Hsp90 possa ser capaz de reduzir também os problemas cardiovasculares associados ao diabetes tipo 2”, diz John Catravas, diretor do Centro de Biologia Vascular da Medical College of Georgia.

Como o Hsp 90 atua

O Hsp 90 ativa proteínas e faz com que elas trabalhem – um papel multifacetado que leva os pesquisadores a suspeitarem que seu papel na promoção da inflamação é também multifacetado. As funções estão intimamente relacionadas: enzimas cruciais ao processo inflamatório também ativam o Hsp90.

Apesar de seu papel crítico no corpo, bloquear o Hsp 90 parece não causar problemas desnecessários: “Nem todas as proteínas associadas a inflamações são ruins, e quando você bloqueia as boas, pode ter efeitos secundários”, explica Catravas. “Mas o câncer indica que os inibidores têm afinidade muito maior para ativar o Hsp90 do que o tecido normal. A equipe de pesquisadores mostrou que tecidos inflamados têm bem mais Hsp90 ativos.

Os pesquisadores estão centrados em três maneiras através das quais os inibidores poderiam bloquear a inflamação em doenças cardiovasculares. Uma delas é por meio do bloqueio do NFkB, que promove a síntese da promoção inflamatória das proteínas. “Queremos mostrar se um dos caminhos para bloquear a inflamação crônica, dependente de NFkB, é prevenindo a ativação do gene”, ele explica.

A equipe vai inibir o NFkB para ver se os inibidores Hsp90 continuam ativos, medindo a atividade do NFkB em ratos tratados com a droga. Eles também esperam delinear como os inibidores bloqueiam o NFkB, para ver se eles conseguem encontrar uma maneira ainda melhor de bloquear a inflamação.

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