Método permite diferenciar entre células cancerosas e cicatrizes

O procedimento identifica minúsculos nódulos cancerosos, impossíveis de serem detectados pelas técnicas atuais.

taniager

02 Agosto 2011 | 12h15

Dr. Nik Hauser e Prof. M. Stampanoni discutem os resultados na sala de mamografia do Hospital do Cantão de Baden na Suiça. Crédito: PSI/M.Fischer.

Dr. Nik Hauser e Prof. M. Stampanoni discutem os resultados na sala de mamografia do Hospital do Cantão de Baden na Suiça. Crédito: PSI/M.Fischer.

Cientistas do Instituto Paul Scherrer (PSI), na Suíça, desenvolveram um método para diagnóstico de câncer de mama capaz de diferenciar entre células tumorais e cicatrizes. O procedimento, que permite gerar imagens de tecidos retirados após a operação da mama, identifica minúsculos nódulos cancerosos impossíveis de serem detectados pelas técnicas atuais. Os testes serão realizados pela primeira vez em tecidos não conservados com a colaboração do hospital suíço do cantão de Baden. A equipe de pesquisadores publicou seu trabalho na edição mais recente da revista online Investigative Radiology.

A radiografia clássica determina apenas a quantidade do feixe de raios-X retida no tecido e, por esta razão, mostra apenas sombras do objeto analisado. No novo procedimento, a mama é examinada pela detecção da variação sutil das ondas eletromagnéticas de raios-X quando atravessam diferentes estruturas de tecidos. Ao passar de uma estrutura de tecido a outra, a orientação da onda se modifica ligeiramente como, por exemplo, quando uma onda do mar se choca contra um píer. Estruturas invisíveis pelas técnicas tradicionais tornam-se então perceptíveis pelas medições.

Segundo Marco Stampanoni, diretor do projeto do PSI, a equipe de pesquisadores passou muitos anos desenvolvendo métodos para investigar estas mudanças e interpretar as informações que elas contêm. Conseguiu agora criar a base para novos métodos a serem usados em pesquisas médicas e de materiais.

Para o procedimento de contraste de fase, três grades extremamente finas são atravessadas pelos raios-X – uma é colocada na frente do objeto a ser examinado e as duas outras atrás dele. Os vários componentes das ondas luminosas interagem entre si de forma a tornar a informação sobre a orientação das ondas acessível. Os raios-X são gerados por um tubo semelhante aos usados em clínicas.

O objetivo deste trabalho de longa duração é desenvolver um novo equipamento que possa ser utilizado em mamografias rotineiras da prática clínica e fornecer imagens mais aperfeiçoadas do tecido mamário a um custo significativamente menor do que aqueles de técnicas como tomografia ou ressonância magnética de imagem. A experiência no campo da saúde de pesquisadores da empresa Philips também está ajudando no projeto.