Novo modelo para medir movimentos de placas tectônicas é mais preciso

Técnica criada em parceria entre universidades permite descrições precisas do deslocamento em 97% da superfície da Terra.

taniager

23 Março 2010 | 18h17

O novo modelo utiliza medições das cadeias meso-oceânicas (amarelo e verde) para descrever com precisão os movimentos interplacas. As placas tectônicas compõem aproximadamente 97% da superfície da Terra. (Crédito da imagem: D. Sandwell / Instituto de Oceanografia Scripps e Smith WHF / NOAA)

O novo modelo utiliza medições das cadeias meso-oceânicas (amarelo e verde) para descrever com precisão os movimentos interplacas. As placas tectônicas compõem aproximadamente 97% da superfície da Terra. (Crédito da imagem: D. Sandwell / Instituto de Oceanografia Scripps e Smith WHF / NOAA)

A última criação do geofísico Donald Argus, do Jet Propulsion Laboratory (JPL) da NASA, e seus colegas Chuck DeMets, da Universidade de Wisconsin-Madison, e Richard Gordon, da Universidade de Rice, Houston acaba de receber seus últimos retoques após um esforço de 20 anos. Agora é possível descrever precisamente o deslocamento das 25 placas tectônicas que respondem por 97% da superfície da Terra.

As 25 placas tectônicas da Terra são rígidas, mas estão em constante movimento porque elas flutuam sobre o interior derretido do nosso planeta. As placas colidem ou deslizam umas sobre as outras constantemente. As colisões entre as placas formam cadeias de montanhas como as do Himalaia. Mas quando elas deslizam umas sobre as outras, elas causam terremotos, como os que atingiram o Haiti e o Chile este ano.

A frequência e a magnitude dos terremotos dependem de como as placas tectônicas se movem. Gordan explica que entender como as placas se movem ajuda na compreensão dos processos da superfície terrestre, como a formação de montanhas, e dos processos do interior terrestre, como a convecção do manto.

O novo modelo da Terra, apelidado de MORVEL (Mid-Ocean Ridge Velocities), melhora significativamente a resolução e a precisão do modelo anterior de pesquisa, que a mesma equipe havia feito em 1990, porque se baseia em mais dados – e dados mais precisos. Ele pode ser usado para prever o movimento de uma placa em relação à outra na superfície terrestre.

Cerca de três quartos dos dados do MORVEL foram coletados de medições feitas nas cadeias meso-oceânicas, limites submarinos entre as placas. Nessas cadeias, novas crostas são formadas constantemente pela elevação do magma à superfície do planeta quando as placas se separam. 

Para saber quão rápido as placas estão se espalhando, a equipe usa dados de scanners que olham para o perfil magnético da crosta que se formou em cristas meso-oceânicas. Quando o campo magnético da Terra muda de polaridade, ele deixa uma marca magnética na crosta que é semelhante a um anel de árvore. Estas alterações de polaridade ocorrem em intervalos irregulares – o último sendo cerca de 780 mil anos atrás. Combinando-se as marcas dos deslocamentos de polaridade em diferentes pontos ao longo das cristas meso-oceânicas em todo o mundo, a equipe pode avaliar quão rapidamente uma nova crosta está sendo formada.

O estudo estimou exatamente o quão rápido as placas estão se separando ao longo das cadeias meso-oceânicas. As taxas são geralmente de alguns centímetros por ano, no máximo. E o modelo MORVEL precisou a distância entre os limites das placas ao longo de uma seqüência contínua de cristas meso-oceânicas com mais de 64 mil quilômetros de comprimento.

O modelo MORVEL permite aos cientistas a previsão de futuros movimentos de placas e a identificação de locais onde os movimentos mudam ao longo do tempo – áreas que são úteis para estudar as forças subjacentes que controlam os movimentos das placas.