Programa facilita substituição óssea para reconstrução da face

"Otimização topológica" permite projetar prótese para beneficiar pessoas que sofreram deformações causadas por acidentes.

taniager

13 Julho 2010 | 22h26

Usando métodos de projeto de engenharia, pesquisadores podem modelar implantes ósseos personalizados para cirurgias de reconstrução da face. Crédito: cortesia da Universidade de Illinois.

Usando métodos de projeto de engenharia, pesquisadores podem modelar implantes ósseos personalizados para cirurgias de reconstrução da face. Crédito: cortesia da Universidade de Illinois.

Pesquisadores da Universidade de Illinois e do Centro Médico da Universidade do Estado de Ohio, nos EUA, desenvolveram um programa computacional que facilita a substituição óssea em pacientes com lesões faciais.

O programa possui uma “otimização topológica” que permite aos pesquisadores projetar uma substituição óssea facial para uma vítima de bala, por exemplo. Eles começam com um modelo do paciente, em seguida, concentram-se na área da lesão. A substituição é projetada por uma série de algoritmos com restrições adicionadas, como espaços para cavidades nasais e vasos sanguíneos, entre outros. Os pesquisadores então modelam o processo de inserção da substituição óssea no paciente e verificam como ele ficará.

A substituição óssea no meio da face tem sido um problema sério para cirurgiões de reconstrução facial devido a forma específica dos ossos – ossos muito pequenos e delicados – e suas funções, bem como a localização em uma área susceptível à elevada contaminação por bactérias.

Para modelar as substituições ósseas, os cirurgiões coletam ossos de outras partes do corpo do paciente – ombro ou quadril, por exemplo – na maioria das vezes. Depois, estes ossos são moldados manualmente para chegarem à forma do osso faltante.  O inconveniente deste processo é que a estrutura dos ossos da face é diferente dos demais ossos do corpo.   Assim, os pacientes ficam expostos aos efeitos colaterais do processo, como disfunções faciais e distorções estéticas.  

Com a “otimização topológica” é possível criar ossos personalizados através da engenharia de tecido.  

“Idealmente, esta tecnologia permitiria ao médico explorar alternativas cirúrgicas e projetar a substituição óssea de um paciente específico. Cada projeto pode ser adaptado aos requisitos de falta de volume e perdas funcionais”, disse Gláucio Paulino, professor de engenharia envolvido com o estudo.

Os pesquisadores demonstraram com sucesso o conceito de modelagem de vários tipos de substituições de ossos da face. Agora eles pretendem desenvolver os fundamentos para a engenharia de tecidos, indispensável para converter os ossos projetados em ossos reais.