Fluxos de lavas jovens em Vênus sugerem atividade vulcânica recente

Vênus é um dos poucos que apresentou atividade vulcânica nos últimos tempos geológicos. Mas planeta ainda poder estar geologicamente ativo.

taniager

09 Abril 2010 | 16h09

A imagem mostra o pico vulcânico Idunn Mons na área de Imdr Regio de Vênus. O brilho sinaliza a composição de minerais que foram alterados devido ao fluxo de lava. A cor vermelha-alaranjada representa a área mais quente e a cor púrpura a mais fria. O Idunn Mons tem um diâmetro de cerca de 200 quilómetros. Crédito: SEC/NASA/JPL

A imagem mostra o pico vulcânico Idunn Mons na área de Imdr Regio de Vênus. O brilho sinaliza a composição de minerais que foram alterados devido ao fluxo de lava. A cor vermelha-alaranjada representa a área mais quente e a cor púrpura a mais fria. O Idunn Mons tem um diâmetro de cerca de 200 quilómetros. Crédito: SEC/NASA/JPL

Vênus é um dos poucos planetas do Sistema Solar que apresentou atividade vulcânica nos últimos tempos geológicos. Mas, após análise das medições efetuadas com o instrumento VIRTIS a bordo da nave espacial Venus Express da Agência Espacial Europeia (ESA), os cientistas acreditam que o planeta ainda é geologicamente ativo.

Os dados do VIRTIS revelaram que, além de Vênus ter sido vulcanicamente ativo no passado – num período entre 250 a 2,2 milhões de anos atrás – e apresentar nove pontos quentes em áreas elevadas de conformação vulcânica, os fluxos de lavas no planeta ainda são muito jovens. Isso leva a crer que ele ainda possui atividade vulcânica.

Vênus, segundo planeta mais próximo do Sol, está coberto por nuvens densas e possui uma atmosfera espessa composta principalmente de dióxido de carbono, o que dificulta a observação de sua superfície através de comprimentos de ondas visíveis. As informações obtidas da superfície do planeta, antes do lançamento da Venus Express em abril de 2006, se baseavam no mapeamento de 98% da superfície por radar e dados de alta resolução da gravidade coletados pela sonda Magalhães da NASA. Embora seus dados revelassem atividades vulcânicas no passado e os pontos quentes do planeta, não eram suficientes para determinar atividades vulcânicas recentes.


Colocar a Venus Express em órbita ao redor de Vênus, levando consigo o VIRTIS, foi fundamental para a obtenção de novos dados.

O VIRTIS é um espectrômetro de imagem que mede a emissão espectral da superfície de Vênus através de ondas térmicas infravermelhas.  A emissão espectral é a razão entre a medida de radiação da superfície e a radiação que um corpo escuro poderia emitir na mesma temperatura.  Ao usar este tipo de medição, somada aos dados anteriores, os cientistas puderam determinar se os fluxos de lavas nas regiões de pontos quentes  eram consistentes com os fluxos de lavas vulcânicas recentes.

As regiões vulcânicas, ou pontos quentes, são geologicamente similares às do Havaí. Suzanne Smrekar, do Jet Propulsion Laboratory (JPL) da NASA, e sua equipe focaram estas regiões em Venus e detectaram nuvens de material quente que subiam a partir das profundezas de sua superfície. Estas nuvens podem ter sido produzidas por erupções vulcânicas. Outros dados também sugerem que gases voláteis estão sendo expelidos de vulcões para a atmosfera venusiana.

Saber se Vênus tem vulcanismo recente é importante para que Smrekar e sua equipe possam compreender como funciona o interior do planeta e como as erupções afetam a composição de sua atmosfera e seu clima.

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