O que faz suas duas mãos pararem de crescer em um certo momento?

Pesquisadores do John’s Hopkins descobriram algo que pode ter um papel-chave no controle do tamanho de órgãos como o coração.

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28 Março 2010 | 02h06

Proteína regula sinalização que faz com que você não tenha o coração de um hipopótamo. Crédito: Wikipedia.

Proteína regula sinalização que faz com que você não tenha o coração de um hipopótamo. Crédito: Wikipedia.

No coração de mãe sempre cabe mais um? Não, se depender de uma proteína específica. Pesquisadores do John’s Hopkins descobriram algo que pode ter um papel-chave no controle do tamanho de órgãos como o coração. Experiências com moscas de frutas demonstram que a Kibra pode “acionar” sinais químicos responsáveis pela criação e dimensionamento do crescimento de tecidos, organizando o controle da proliferação celular – e morte – no organismo. Em outras palavras: ditando quando um fígado está do tamanho que deve estar.

Em uma série de experimentos, os cientistas manipularam o papel da Kibra em uma rede de sinalização chamada via Hippo, que consiste em várias proteínas trabalhando juntas como um sistema de travagem. Homólogos dos componentes nas vias Hippo em moscas são encontrados na maioria dos animais, sugerindo que ela pode atuar como um regulador do tamanho de um órgão.

“As pessoas sempre ficaram curiosas sobre o que faz o hipopótamo crescer bem mais do que um rato”, diz Doujia Pan. “Nossos estudos mostram que a Kibra regula a sinalização Hippo, o que mantém os órgãos com um tamanho característico, impedindo que o meu coração ou seu fígado se tornem tão pesados quanto os de grandes mamíferos africanos”.

A equipe de Pan identificou o gene que nomearam Hippo em 2003, mostrando que sua cópia anormal levou a um olho excessivamente grande em uma mosca de fruta. Dois anos depois, os pesquisadores viram que a Hippo está no meio de uma série de sinalizações. Sua mensagem “pare de crescer” é retransmitida ao longo do caminho molecular de proteínas ligadas bioquimicamente, o que limita a expressão de genes que poderiam promover a divisão celular e a sobrevivência da célula. Em 2007 eles mostraram que a manipulação dessa via em um fígado de rato fez com que o órgão crescesse cinco vezes mais e se tornasse canceroso.

A associação Kibra-Hippo poderia ajudar a compreender e tratar o câncer, já que o cancro é, literalmente, uma doença de crescimento descontrolado. Estudos em células humanas mostram que, como sua correspondente na mosca, a Kibra age como uma proteína supressora de tumor que regula a sinalização Hippo.

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