Obesidade aumenta chances de sobrevivência em acidentes

Boa notícia serve para motoristas do sexo masculino com sobrepeso, mas apenas se estiverem usando cinto de segurança.

taniager

11 Fevereiro 2010 | 17h49

Motoristas homens e obesos têm 22 % a menos de chance de morrerem em desastres automobilísticos em comparação com os mais esbeltos. Estes dados se referem a indivíduos que usam cinto de segurança.

Motoristas homens e obesos têm 22 % a menos de chance de morrerem em desastres automobilísticos em comparação com os mais esbeltos. Estes dados se referem a indivíduos que usam cinto de segurança.

O resultado de uma pesquisa divulgada ontem pelo  Transportation Research Institute da  Universidade de Michigan (UMTRI), EUA, mostrou que motoristas do sexo masculino com sobrepeso têm mais chances de sobreviver a um acidente rodoviário fatal, mas apenas se eles estiverem usando um cinto de segurança. Já as motoristas com peso ideal sobrevivem mais, independentemente se usam ou não o cinto de segurança. O estudo aponta para a necessidade de aprimoramento de dispositivos que testam a qualidade de sistemas de segurança em veículos e de testes específicos para cada tipo de condutor.

Os pesquisadores Michael Sivak, Brandon Schoettle e Jonathan Rupp, responsáveis pela pesquisa, descobriram que os motoristas masculinos obesos – com um índice de massa corporal (IMC) entre 35 e 50 – diminuem em 22 % a probabilidade de morrerem em desastres automobilísticos, frente a motoristas masculinos mais esbeltos – com IMC entre 15 e 18,4. Estes dados se referem a indivíduos que usavam cinto de segurança.  

O contrário, os esbeltos têm mais chances que os obesos, pode ser verdadeiro quando motoristas masculinos não usam o cinto de segurança. Neste caso, os obesos aumentam o fator de risco de morte em 10% sobre àqueles com IMC mais baixo.

Os pesquisadores analisaram dados do National Highway Traffic Safety Administration de aproximadamente 300.000 motoristas envolvidos em acidentes fatais nos Estados Unidos em um período de 1998 a 2008 – dos quais, aproximadamente 51% dos motoristas morreram. Eles descobriram que, em geral, os motoristas que deixam de usar cintos de segurança têm 2,1 vezes mais probabilidade de morrer em um acidente fatal que aqueles que estavam usando o cinto.

Além disso, seus resultados indicam que condutores do sexo feminino têm 1,1 vezes mais probabilidade de morrer que aqueles do sexo masculino. No entanto, para as mulheres que usam cintos de segurança, um IMC normal leva ao menor risco de morte, enquanto ambos os IMC, mais elevado e mais baixo, aumentam o risco.

Por essa razão, as motoristas obesas que usam o cinto de segurança têm uma probabilidade 10 % maior de morrerem em um acidente que aquelas com um IMC normal (entre 18,5 e 24,9).

Do mesmo modo, para as motoristas magrinhas (IMC entre 15 e 18) a probabilidade de morrer é 8%  maior que a das motoristas com IMC normal.

Os investigadores não encontraram diferenças estatisticamente significativas entre as categorias de IMC para as motoristas sem cinto.

Michael Sivak, que além de pesquisador é também chefe da UMTRI’s Human Factors Division Human Factors, argumentou que os resultados sugerem que para os obesos o balanço ideal entre os efeitos positivos – de amortecimento extra – e os efeitos negativos – de massa extra – somados à força de impacto depende do sexo do motorista e do use de cinto de segurança.

 “Em um IMC semelhante, os homens são geralmente mais pesados do que as mulheres devido às diferenças de tamanho. Portanto, em um homem é mais provável que a sobrecarga no airbag, aumente o risco em obesos sem cinto. A diminuição do risco para os motoristas obesos com o cinto provavelmente se deve ao fato de que o cinto de segurança tende a evitar essa sobrecarga.”

No geral, as descobertas de Sivak e seus colegas, sugerem que os projetos de sistemas de retenção tais como airbags, cintos de segurança, apoios de joelho, assentos e outros componentes do ocupante, precisarão ser aprimorados para aumentar a proteção dos motoristas e dos passageiros em ambos os extremos do IMC. Prosseguindo, Sivak enfatiza que para atenuar danos em potencial, novas ferramentas de teste de sistemas de proteção devem ser desenvolvidas. Atualmente os testes são feitos com manequins e modelos com massa corporal igual a de um homem com IMC normal.