Objeto de 3.200 anos encontrado em Israel era pivô de carro de batalha

Identificação reforça teoria de que governante de alto escalão do Egito esteve ali, aumentando os indícios de que a região seria Harosete Hagoim.

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01 Julho 2010 | 12h03

Encontrada em 1997, peça de bronze com face de mulher esculpida permanecia um mistério. Agora, pesquisadores acreditam que tenha adornado carruagens de ferro de tribo egípcia. Crédito: Universidade de Haifa.

Encontrada em 1997, peça de bronze com face de mulher esculpida permanecia um mistério. Agora, pesquisadores acreditam que tenha adornado carruagens de ferro de tribo egípcia. Crédito: Universidade de Haifa.

Uma pequena tábua de bronze de 3.200 anos de idade com o rosto de uma mulher esculpido é parte de um pivô que segurava o volante de uma carruagem de batalha. O objeto foi encontrado em uma escavação perto de El-ahwat, perto de Katzir, no centro de Israel, e identificado pelo pesquisador Oren Cohen, do Instituto Zinman de Arqueologia da Universidade de Haifa.

A identificação reforça a teoria de que um governante de alto nível do Egito esteve lá, aumentando os indícios de que a região seria Harosete Hagoim, cidade natal de Sísera, mencionado em Juízes 4: “E Sísera convocou todos os seus carros, novecentos carros de ferro, e todo o povo que estava com ele, desde Harosete dos gentios até o ribeiro de Quisom”.

Durante anos, o objeto ficou mascarado pelo mistério: o pedaço de cerca de 2 cm de diâmetro e 5 mm de espessura possui esculpida a face de uma mulher usando um boné e brincos em forma de rodas de carro. Embora se imaginasse que aquilo era a extremidade de um objeto alongado quebrado, os pesquisadores não conseguiram encontrar paralelo com outras descobertas arqueológicas da região.

Agora, depois de um longo estudo dos relevos de antigos carros egípcios, Cohen conseguiu identificar o objeto como parte da decoração das carruagens (geralmente feita com base no rosto de prisioneiros, estrangeiros ou inimigos do Egito, mas também usando faces de pessoas da realeza e pessoas distintas).

Relevos egípcios mostram carros de combate com adornos gravados, como o encontrado em Israel. Crédito: Universidade de Haifa.

Relevos egípcios mostram carros de combate com adornos gravados, como o encontrado em Israel. Crédito: Universidade de Haifa.

“Esta identificação aumenta o valor histórico e arqueológico do local e prova que carros pertencentes a indivíduos de alto escalão foram encontrados lá”, explica Zertal. “Fornece suporte para a possibilidade, que ainda não foi definitivamente estabelecidade, de que ali ficava a cidade de residência de Sísera, onde as carruagens partiam para lutar contra as tribos israelitas, localizadas entre as regiões de Taanach e Megiddo”.

Escavações em El-ahwat

Entre 1993 e 2000 a região de El-ahwat foi escavada, recuperando objetos do final da Idade de Bronze e início da Idade do Ferro (séculos 13 e 12 a.C). As singularidades entre fortificações, vias de comunicação nas paredes e cabanas arredondas fizeram com que os pesquisadores acreditassem que o local tenha abrigado a tribo Shardana dos Povos do Mar – que, segundo alguns estudiosos, vivia em Harosete Hagoim.

Harosete Hagoim é mencionada na Bíblia como capital de Sísera, onde o exército de carruagens teria avançado contra os israelitas. Os resultados da escavação e análises levaram o pesquisador Zertal a escrever o livro em hebraico “Segredo de Sísera, uma viagem seguindo os Povos do Mar e da Canção de Deborah” (Dvir, Tel Aviv, 2010).

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