Observatório SOFIA capta primeiras imagens de Júpiter em pleno voo

Triunfo ocorreu quando cientistas gravaram imagens em comprimentos de onda não observáveis em laboratórios terrestres.

taniager

31 Maio 2010 | 21h00

Imagem em infravermelho de Júpiter captada no primeiro voo do SOFIA, composta de imagens de comprimentos de onda de 5,4 (em azul), 24 (em verde) e 37 microns (em vermelho). A foto mostra Júpiter visto em comprimento de luz visível e em infravermelho para efeito de comparação. A lista branca na imagem de infravermelho é uma região de nuvens que apresentam uma transparência relativa, através da qual o interior quente de Júpiter pode ser visto. Crédito: Anthony Wesley, NASA, USRA E L-3 Comunications Integrated Systems.

Imagem em infravermelho de Júpiter captada no primeiro voo do SOFIA, composta de imagens de comprimentos de onda de 5,4 (em azul), 24 (em verde) e 37 microns (em vermelho). A foto mostra Júpiter visto em comprimento de luz visível e em infravermelho para efeito de comparação. A lista branca na imagem de infravermelho é uma região de nuvens que apresentam uma transparência relativa, através da qual o interior quente de Júpiter pode ser visto. Crédito: Anthony Wesley, NASA, USRA E L-3 Comunications Integrated Systems.

O observatório aeroespacial SOFIA, a bordo do jato Boeing 747SP que decolou em 26 de maio deste ano, capturou as primeiras informações detalhadas de Júpiter. O Instituto de Física da Universidade de Colônia, Alemanha, divulgou as imagens na última sexta-feira.

O observatório Estratosférico de Astronomia de Infravermelho SOFIA (sigla em inglês) é o resultado de um programa cooperativo entre a NASA e o DLR (sigla em alemão do Centro Aeroespacial Alemão). Um jato Boeing 747SP foi extremamente modificado e equipado com um telescópio refletor de dois metros e meio de diâmetro para a missão. A bordo do jato, a tribulação internacional de 10 cientistas, engenheiros e técnicos faz parte da Associação de Universidades de Pesquisa Espacial (USRA), do Instituto SOFIA Alemão (DSI) e da Universidade de Cornell, EUA.

O jato decolou do Dryden Aircraft Operations Facility da NASA, em Palmdale, Califórnia. Durante o voo de seis horas, a altitudes acima de 10 mil km, a tripulação testou o sistema e coletou dados de desempenho do telescópio.

O voo é uma fase preliminar para uma viagem de 20 anos, acrescenta o diretor da Divisão de Astrofísica da NASA Jon Morse. SOFIA então será capaz de obter uma ampla variedade de observações científicas astronômicas impossíveis para observatórios da Terra e do espaço.

Os cientistas já haviam previsto a alta fidelidade de captação de imagens em testes de simulação, mas agora ela foi confirmada pelas primeiras imagens capturadas pelo observatório em voo. A estabilidade e pontuações precisas do telescópio alemão atendeu ou excedeu as expectativas dos engenheiros e astrônomos a bordo.

“O triunfo coroado da noite surgiu quando os cientistas gravaram imagens de Júpiter em comprimentos de onda não observáveis em laboratórios terrestres ou telescópios espaciais atuais”, disse Eric Becklin, consultor senior de ciência da USRA/SOFIA. “A imagem composta do SOFIA mostra o calor, preso desde a formação do planeta, vazando do interior de Júpiter através de orifícios em suas nuvens.”

A câmara infravermelh FORCAST de alta sensibilidade do telescópio da SOFIA foi capaz de capturar, em poucos minutos, imagens que exigiriam muitas horas de exposição por observatórios na Terra. Estes últimos são impedidos de obter uma visão infravermelha nítida do universo devido ao vapor de água da atmosfera.

Os cientistas do projeto acreditam que a altitude operacional do SOFIA, acima de 99% do vapor de água da atmosfera da terra, permitirá que o observatório aéreo receba 80% ou mais da luz infravermelha acessível a um observatório espacial.

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