Ocitocina é esperança para transtornos alimentares

Equipe mostra que "hormônio do amor" pode reestabelecer o comportamento alimentar normal em ratos sem reflexo de sucção.

taniager

18 Outubro 2010 | 14h45

Uma equipe de pesquisadores dirigida por Françoise Muscatelli, do CNRS (Centro Nacional de Pesquisas Científicas), França, mostrou evidências de que a ocitocina estimula a atividade da sucção quando os bebês nascem. A equipe demonstrou com sucesso que a ingestão deste hormônio, conhecido por acionar o parto, restabelece o comportamento alimentar normal em ratos sem reflexo de sucção que coloca suas vidas em risco. Estes trabalhos foram publicados na revista Human Molecular Genetics recentemente.

Nas primeiras horas de vida, a relação mãe-filho é estabelecida pela proximidade física e pelos comportamentos inatos como o da sucção. No entanto, problemas de ingestão de alimentos e de sucção neonatal são frequentes. Cinco por cento de recém-nascidos prematuros nascem com estes problemas. As causas podem ser várias, como hipóxia, doenças genéticas, doenças metabólicas, problemas neurológicos entre outras.

A equipe focou a Síndrome de Prader-Willi, uma doença genética órfã – acomete um em 20 mil nascimentos – com disfunção do sistema nervoso. Ela se traduz desde o nascimento, pela ausência ou baixa atividade de sucção que exige, na maioria dos casos, o uso de uma sonda gástrica nos bebês.

Ao procurar entender a função do gene Magel2 (um dos genes envolvidos na síndrome de Prader Willi) no hipotálamo, a equipe de pesquisadores descobriu que a ausência deste gene provoca graves disfunções de sucção em filhotes: faz com que os ratinhos não se alimentem e morram. A causa deste comportamento é uma alteração da síntese do hormônio ocitocina no hipotálamo, que tem sua quantidade diminuída no cérebro pela ausência do Magel2.

A equipe provou que a contribuição deste hormônio restaura o comportamento alimentar normal. Esta vitória é importante, pois a ocitocina desempenha um papel crucial no comportamento de um indivíduo, principalmente em problemas de interações sociais, como por exemplo, o autismo. Para a mãe, esse hormônio também desempenha um papel no parto, no aleitamento e na ligação forte da mãe ao seu bebê.