Cepas agressivas de salmonela estão surgindo em infectados por HIV

Bactéria invade células de sangue e da medula óssea, onde podem se esconder – o que lhes permite evoluir para uma forma mais resistente.

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14 Abril 2010 | 11h11

Equipe no Hospital Queen Elizabeth, Blantyre, onde a pesquisa foi realizada. Crédito: Universidade de Liverpool.Equipe no Hospital Queen Elizabeth, Blantyre, onde a pesquisa foi realizada. Crédito: Universidade de Liverpool.

Equipe no Hospital Queen Elizabeth, Blantyre, onde a pesquisa foi realizada. Crédito: Universidade de Liverpool.

Cientistas da Universidade de Liverpool, Inglaterra, descobriram que cepas perigosas de salmonela começam a surgir em pessoas infectadas pelo HIV na África. A pesquisa revela que em adultos contaminados, a nova bactéria pode causar doenças graves ao invadir células de sangue e da medula óssea, onde podem se esconder – o que lhes permite evoluir para uma forma mais perigosa, resistente a drogas.

Isso ocorre porque pessoas infectadas pelo HIV têm o sistema imunológico comprometido, e o corpo está vulnerável ao ataque de qualquer agressor.

Em boa parte do mundo, a salmonela geralmente causa diarreia e raramente leva alguém à morte. Mas, na África, as novas estirpes superesistentes podem se aproveitar de crianças e adultos vulneráveis, causando infecções graves que são difíceis de serem tratadas, causando a morte de uma em cada quatro pessoas infectadas por ambos.


Trabalhos anteriores da universidade mostraram que a epidemia de novas cepas de salmonela são específicas da África e que evoluíram ao ponto de causarem problemas muito sérios. Os pesquisadores demonstraram que as cepas, que eram previamente não-invasivas, agora desenvolveram similaridades genéticas com a febre tifóide. Isso é importante porque, além de ser resistente a antibióticos, o comportamento é mais invasivo e agressivo do que que estirpes típicas dos EUA e Europa. Essa evolução foi provavelmente impulsionada pela situação da aids na África.

O fato de que as células podem persistir dentro das células do sangue e da medula óssea confirma que a doença pode ser adquirida de uma nova maneira, extremamente agressiva. Infecções mais resistentes, são mais difíceis de tratas. Sujeitas a reincidências. Essas, por suas vez, contribuem para a adaptação das bactérias, e para a evolução em relação à resistência aos antibióticos.

Melita Gordon, consultor sênior em gastroenterologia da Universidade de Liverpool, diz: “Isso sugere que a taxa elevada de pessoas com HIV e outras doenças que afetam o sistema imunológico na África proporcionam um nicho ecológico onde novas cepas, mais perigosas, de salmonela são capazes de surgir”. Ele completa: “Estamos estudando maneiras de fazer com que essas infecções resistentes a múltiplas drogas possam ser tratadas de forma mais eficaz, sem favorecer o surgimento de novas formas resistentes a antibióticos. Deveríamos também ser capazes de usar novos marcadores genéticos para acompanhar e entender melhor a propagação e o comportamento da salmonela na África”.

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