Comportamento dos macacos é menos racional do que se pensava

Novo modelo computacional simula o comportamento de submissão observado entre os primatas e mostra que este comportamento não é tão racional e sim, o resultado do medo de perder a luta ao enfrentar um oponente mais forte.

taniager

11 Janeiro 2010 | 21h23

Dois macacos selvagens de cauda longa na Floresta de Macaco Sagrado, Ubud, Bali, na Indonésia. O comportamento exibido de aliciamento entre primatas é um comportamento menos racional do que se pensava. De acordo com um modelo de computador desenvolvido por cientistas da Universidade de Groningen, uma regra básica explica todos os padrões possíveis de submissão: o indivíduo se submete ao oponente por medo de perder a luta. (Crédito: iStockphoto George Clerk)

Dois macacos selvagens de cauda longa na Floresta de Macaco Sagrado, Ubud, Bali, na Indonésia. O comportamento exibido de aliciamento entre primatas é um comportamento menos racional do que se pensava. De acordo com um modelo de computador desenvolvido por cientistas da Universidade de Groningen, uma regra básica explica todos os padrões possíveis de submissão: o indivíduo se submete ao oponente por medo de perder a luta. (Crédito: iStockphoto George Clerk)

Novo modelo computacional simula o comportamento de submissão observado entre os primatas e mostra que este comportamento não é tão racional e sim, o resultado do medo de perder a luta ao enfrentar um oponente mais forte.

Os primatas são conhecidos como conciliadores de conflitos por se cuidarem mutuamente após uma briga. Além disso, eles também desenvolvem uma intrincada rede de negociações para obter ajuda quando se preparam para lutar. Isto pode parecer aos olhos humanos um comportamento calculado, mas não é o que indica o resultado de uma simulação feita por um novo modelo computacional desenvolvido por cientistas da Universidade de Groningen.

A simulação demonstrou que basta uma única regra básica para explicar todos os padrões comportamentais de submissão de um indivíduo a outro: o medo de perder uma luta.

O professor e biólogo teórico Charlotte Hemelrijk mostrou que na simulação muitos padrões de reconciliação e de intercâmbio surpreendentemente surgiram simplesmente por medo de perder uma briga com outro indivíduo. Tais comportamentos podem não ser necessariamente conscientes, pois dependem da posição, de proximidade ou não, entre os indivíduos.  A proximidade fortalece o interesse do fraco em se submeter ao mais forte e, o mais forte alicia o maior número de indivíduos que puder encontrar por perto para se preparar para uma luta com um adversário.

Hemelrijk esclarece que pensar padrões de comportamento calculado pressupõe um processo de pensamento racional. Para a reconciliação, os primatas deveriam lembrar exatamente qual foi a última luta e com quem. Para haver reciprocidade, o primatas também deveriam ter uma noção moral da importância de cada relação que mantiveram com seus aliados e com que freqüência, para poder retribuir adequadamente os serviços de apoio ou de submissão.  

A simulação demonstrou que os padrões de amizade são devidos à proximidade com o outro. Por sua vez, a proximidade é o resultado da relação de dominância. O medo de perder a luta tem um papel importante. O comportamento aparente de reconciliação é o resultado de seres individuais estarem próximos de seus oponentes após uma luta. E a recompensa atinge apenas aqueles que estão muito próximos.  

Isto não quer dizer que os primatas não sejam inteligentes. Eles apenas não são tão inteligentes quanto se supunha.