Pacientes com linfoma transformado respondem bem à lenalidomida

45% dos pacientes tratados responderam bem à medicação que, além de ser administrada por via oral, tem menos efeitos colaterais.

root

26 Maio 2010 | 23h04

O termo linfoma corresponde a um conjunto amplo de cânceres do sistema linfático e que se iniciam a partir da transformação neoplásica de uma célula denominada linfócito. Na imagem, identificação de linfoma não-hodgkin difuso de grandes células B. Crédito: Wikipedia.

O termo linfoma corresponde a um conjunto amplo de cânceres do sistema linfático e que se iniciam a partir da transformação neoplásica de uma célula denominada linfócito. Na imagem, identificação de linfoma não-hodgkin difuso de grandes células B. Crédito: Wikipedia.

Um novo estudo mostra que a droga lenalidomida pode ser muito eficaz contra linfomas agressivos. O trabalho, realizado por um time internacional envolvendo 24 centros médicos dos EUA e Europa, mostrou que 45% dos pacientes tratados responderam bem à medicação – que, além de ser administrada por via oral, tem menos efeitos colaterais.

A droga imunomoduladora mata as células do linfoma ao ativar o sistema de defesa natural, além de induzir a sinalização que leva à morte celular. “Os resultados do estudo mostram uma taxa de resposta notável para pacientes com linfoma que tem prognóstico pobre”, diz Craig Reeder, hematologista da Mayo Clinici e principal pesquisador da fase II da pesquisa. Neste estágio do trabalho, a equipe conta com a participação de mais de 300 pacientes e é realizada para avaliar a eficácia como terapias específicas.

Etapa da pesquisa mostra caminho promissor

Os últimos resultados levaram em conta a resposta à droga em 217 pacientes com linfoma agressivo – 33 deles, entre 42 e 84 anos de idade, tinham linfoma transformado (linfoma indolente que sofre alterações, tornando-se mais agressivo) e foram tratados com lenalidomida. A maioria estava no estágio IV da doença, quando o linfoma se espalha para diversos órgãos. Todos os pacientes tinham se submetido à quimioterapia e, alguns, ao transplante de células estaminais para conter o câncer. O número médio de tratamentos anteriores foi de quatro a 12. 

Então, os pacientes tomaram pílulas de lenalidomida (25mg) diariamente durante 21 dias. Durante sete dias, nenhuma outra medicação foi administrada. A medicação continuou até os primeiros sinais de progressão do cancro. Quase a metade respondeu positivamente à droga, embora os resultados tenham variado conforme o tipo de linfoma transformado. Nos casos de linfoma folicular transformado, o mais comum entre os pacientes, 13 dos 23 pacientes (57%) responderam bem à droga. Dez pessoas com outros tipos de linfoma não responderam ao medicamento, entre eles portadores de leucemia linfoide crônica.

Embora o trabalho tenha analisado um grupo pequeno de pacientes, os pesquisadores consideram os resultados promissores: quem respondeu bem ao medicamento pode mostrar a resposta positiva por mais de um ano. Comparada com as drogas da quimioterapia, a lenalidomida é fácil de administrar e bem tolerada também. Aprovada nos EUA pela Food and Drug Administration (órgão que regula os medicamentos), é usada para o tratamento de mieloma múltiplo e síndrome mielodisplásica.

Veja também:

Biomarcadores podem iniciar era de terapias personalizadas
Toxina produzida por célula cancerosa é capaz de promover sua destruição
Dois tipos de vírus são encontrados em pacientes com HIV e linfoma
Mais um gene associado à leucemia linfoide aguda é identificado