"Panela de pressão" acelera produção de óleo a partir de microalgas

Resultado de processo milenar pode ser obtido em minutos com técnica, fornecendo alternativa ecológica e viável para combustíveis fósseis.

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22 Abril 2010 | 00h14

Cozimento de microalgas em altas temperaturas pode acelerar um processo que a natureza faria em milênios. Crédito: Nicole Casal Moore.

Cozimento de microalgas em altas temperaturas pode acelerar um processo que a natureza faria em milênios. Crédito: Nicole Casal Moore.

Nem só para feijão: um tipo de panela de pressão pode acelerar também a produção de biocombustível. Professores da Universidade de Michigan, nos EUA, descobriram que o cozimento de microalgas pode acelerar o preparo de óleo cru. Algo que ocorreria naturalmente em milênios pode ser obtido em minutos, fornecendo um biocombustível econômico e ecologicamente viável.

Ao contrário dos combustíveis fósseis, os biocombustíveis à base de algas são neutros em carbono. As algas se alimentam do dióxido de carbono no ar, que é liberado quando o biocombustível é queimado. A combustão de combustíveis fósseis, ao contrário, adiciona carbono no ar, sem nunca tomá-lo de volta.

O método de panela de pressão reforça a tendência de transformação de algas em combustível. A técnica convencional envolve o cultivo de algas oleosas especiais, sua secagem e, em seguida, a extração do óleo. O processo hidrotérmico empregado nesse projeto permite a utilização de tipos menos oleosos de algas, além de eliminar a necessidade de secagem, superando duas grandes barreiras para a conversão em larga escala de microalgas para combustíveis líquidos.

“A ideia é que nada deixe a refinaria, exceto o óleo. Tudo seria reutilizado. Essa é uma das coisas que faz esse projeto inovador. É um processo integrado. Estamos combinando abordagens hidrotérmicas, catalíticas e biológicas”, diz Phillip Savage, professor do Departamento de Engenharia Química da universidade e principal pesquisador do projeto.

Savage diz que eles fazem sopa de algas, aquecendo-a a cerca de 300 graus e mantendo a água numa pressão alta o suficiente para mantê-la líquida em vez de vapor.  “Deixamos cozinhar entre 30 minutos e uma hora e obtemos um bio-óleo bruto.”

A alta temperatura e pressão permitem que as algas reajam com a água e quebrem. Não só o óleo natural das algas é liberado, mas proteínas e carboidratos também se decompõem e contribuem para o rendimento do combustível.

“Estamos tentando fazer o que a natureza faz quando cria petróleo, mas não queremos esperar milhões de anos”, diz Savage. “A parte difícil é pegar o alcatrão que sai da panela de pressão e alterar suas propriedades para que ele possa fluir mais facilmente a um custo acessível e transformá-lo em algo que você possa colocar em seu carro.

Agora, os pesquisadores buscam formas de usar catalisadores para aumentar a densidade de energia do bio-óleo resultante. O objetivo é afiná-lo para transformá-lo em um material fluido e também limpá-lo, reduzindo seu teor de enxofre e nitrogênio. Os resíduos poderiam ser processados pela bactéria E. coli.

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